Senador explica ao Bom Dia Campo Grande projeto que troca dívida com a União por moradias

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Nelsinho Trad falou na Educativa 104.7 FM de proposta que visa a cobrir lacuna do Minha Casa, Minha Vida; parlamentar também tratou de sua atividade no Congresso
Nelsinho Trad explicou ao Bom Dia Campo Grande projeto que visa a trocar dívida com a União por casas populares. (Foto: Jane de Araújo/Agência Senado)
Nelsinho Trad explicou ao Bom Dia Campo Grande projeto que visa a trocar dívida com a União por casas populares. (Foto: Jane de Araújo/Agência Senado)

Um projeto de lei apresentado no Senado prevê a substituição de parte da dívida dos Estados por investimentos no setor habitacional, a fim de combater a “falência” do programa Minha Casa, Minha Vida. A iniciativa partiu do senador Nelsinho Trad que, em entrevista por telefone ao Bom Dia Campo Grande desta terça-feira (25), falou também sobre sua atuação em Brasília –incluindo proposta em defesa da rota bioceânica no Parlamento do Mercosul e de seu voto em favor da manutenção do decreto que flexibiliza a posse de armas no país, que acabou derrubado em plenário.

Nelsinho, à Educativa 104.7 FM, lembrou que a grande maioria dos Estados deve à União, quitando juros e uma parte da dívida principal por meio de parcelas mensais. A intenção com sua proposta é que até 30% desse pagamento seja direcionado para a construção de unidades habitacionais, compensando assim a redução dos investimentos do Minha Casa, Minha Vida para a faixa mais carente da população.

“É visível a falência do Minha Casa, Minha Vida, um bom programa que tinha no governo federal passado. Quando fui prefeito (de Campo Grande, entre 2005 a 2012) consegui pelo programa quase 18 mil casas populares para Campo Grande, e a gente observa que, cada vez mais, esses projetos estão minguando. Não existem mais unidades habitacionais, em detrimento da demanda que a população tem para receber a sua casa própria”, justificou o senador, apontando que os recursos, públicos, seriam usados para quitação de uma dívida, e agora poderiam ser destinados a uma demanda social.

Nelsinho lembrou que cada unidade habitacional construída gera 5 empregos diretos e outros 15 indiretos, “de maneira que o projeto também fomenta o desenvolvimento da construção civil”. A proposta tramitará nas comissões de Assuntos Econômicos e de Obras e Infraestrutura antes de ir ao plenário do Senado.

Rota Bioceânica

Representante do Brasil no Parlasul, Nelsinho participou no dia 17 de junho do primeiro seminário internacional sobre Desafios Regionais com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável, em Montevidéu (Uruguai), onde conseguiu emplacar o projeto da rota bioceânica –a ligação rodoviária entre os portos de Santos (SP) e do Chile, passando por Mato Grosso do Sul– nas discussões do Parlamento do Mercosul.

O tema será discutido pelos parlamentares do continente em 12 de agosto, durante um fórum no Paraguai. “Além do aspecto logístico de levar a produção, principalmente da agropecuária, para o continente asiático economizando 8 mil quilômetros marítimos e barateia em 40% o frete, a rota desenvolve pontos turísticos regionais nestes países. Não só no Brasil, como em Mato Grosso do Sul, em Porto Murtinho e nos arredores, mas no Paraguai e na Argentina”, pontuou o senador, segundo quem a viabilidade logística da rota tem agradado os demais parlamentares.

Decreto das armas

Nelsinho também deu detalhes sobre seu voto na última terça-feira (18), na sessão do Senado que, naquela Casa, rejeitou o decreto do presidente Jair Bolsonaro que flexibilizou a compra e posse de armas. Embora a maioria em plenário tenha rejeitado o texto, o senador votou favoravelmente à manutenção do texto, segundo ele, por entender que a possibilidade de autodefesa se faz necessárias nas regiões mais isoladas da zona rural.

“Vivo em um Estado que tem muitas propriedades rurais, algumas delas distantes quilômetros dos vizinhos, e as pessoas ficam muito isoladas. Até chamar a segurança para uma eventualidade causada por algum meliante é muito tarde. Votei justamente pensando nas pessoas que moram em chácaras, sítios e fazendas, para que tenham o direito de ter uma arma”, explicou. A maioria dos parlamentares entendeu que a mudança proposta por Bolsonaro não poderia ocorrer via decreto, e sim por projeto de lei.

Nelsinho também se disse favorável ao movimento que ganha força na Câmara dos Deputados para rediscutir o Estatuto do Desarmamento, com a apresentação de um novo projeto. “A partir do momento que a proposta não pode entrar por decreto, estão tirando os pontos mais polêmicos para fazer uma lei que atenda a população do Brasil, armando o cidadão no sentido de se defender de algum mal”, destacou.

Reforma da previdência

Nelsinho Trad também falou sobre a tramitação da reforma da previdência no Congresso, a qual, acredita, será votada na Câmara dos Deputados ainda em julho, “para que possa vir a votação para o Senado e, no segundo semestre, possamos apreciar e votar essa matéria”. Segundo o senador, os congressistas estão dispostos a atravessar o recesso parlamentar de julho debatendo o projeto “para o bem do país, a fim de que viremos essa página difícil, de crise”.

A proposta de reforma teve seu relatório, elaborado pelo deputado federal Samuel Moreira, apresentada recentemente na comissão especial que debate o tema na Câmara. O texto teve alterações sobre a proposta original do Governo Bolsonaro, como a exclusão de Estados e municípios do alcance das medidas –como queriam governadores e prefeitos–, do BPC (Benefício de Prestação Continuada) e da aposentadoria rural.

Sintonize – Com produção de Rose Rodrigues e Alisson Ishy e apresentação de Maristela Cantadori e Anderson Barão, o Bom Dia Campo Grande permite a você começar o seu dia sempre bem informado, por meio de um noticiário completo, blocos temáticos e entrevistas sobre assuntos variados. O programa vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 7h às 8h30, na Educativa 104.7 FM e pelo Portal da Educativa.  Os ouvintes podem participar enviando perguntas, sugestões e comentários pelo WhatsApp (67) 99333-1047 ou pelo e-mail bomdiacampogrande2018@gmail.com.


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