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21 de fevereiro de 2024 - 14:50

Família moderna: Arcebispo de Campo Grande concorda com Papa sobre fim de casamento

Campo Grande (MS) – O arcebispo metropolitano de Campo Grande, dom Dimas Lara Barbosa, disse, em entrevista ao Jornal do Rádio, da 104 FM, e ao Jornal da TVE, ser plenamente favorável à posição manifestada pelo Papa Francisco sobre o fim de um casamento. Segundo o arcebispo, na Igreja não há um mecanismo de “divórcio”, que permite outro casamento após a separação. Mas é possível recorrer ao Tribunal Eclesiástico para pedir a nulidade do matrimônio, mesmo que a separação ocorra já com a família constituída pelo casal, com filhos.

De acordo com o arcebispo, a posição oficial da Igreja sobre os problemas da família, incluindo a dissolução do casamento, ficará clara em outubro, após o Sínodo (assembleia eclesiástica) convocado pelo Papa, que já teve uma sessão extraordinária no ano passado e terá uma sessão ordinária em outubro. “Quando a Igreja pensa na família, ela tem que ter presente, por exemplo, as famílias marcadas pela poligamia em algumas regiões da África, as famílias marcadas pela perseguição religiosa em alguns países onde o Estado Islâmico praticamente decreta a pena de morte para quem se converte, as famílias de imigrantes entre México e Estados Unidos…”, observou o arcebispo. “Queremos a partir de outubro ter um documento mais formal do Santo Padre sobre todas essas questões”.

No último dia 24 o Papa Francisco reconheceu que a separação do casal em alguns casos é inevitável e até “moralmente necessária”, principalmente quando reina a violência no lar, em uma clara mensagem de abertura ante os desafios da família moderna. Para o arcebispo de Campo Grande, o Papa “não disse nenhuma novidade” e é preciso entender que uma coisa “é a fidelidade, o vínculo matrimonial como sacramento. Ninguém é obrigado a sofrer violência”, daí a separação é mais que recomendável.

Um segundo casamento na Igreja após a separação não é possível, segundo dom Dimas Lara. “A Igreja sempre tolerou o desquite e a recomendação da separação leva em conta a necessidade de “suprimir” a violência, no exemplo citado pelo Papa Francisco.

Dom Dimas Lara vai além e considera que a separação pode ser consentida também em razão de outras formas de violência, como nas situações em que o cônjuge não permite que o outro trabalhe, estude e possa se desenvolver, progredirpessoal e profissionalmente, até nos casos em que a esposa é proibida pelo marido de frequentar igreja, independentemente da confissão religiosa. No caso da infidelidade (traição), a Igreja vê razão para a separação, mas não motivo para nulidade, exceto se se comprovar que antes do matrimônio já havia a intenção de burlar todos os princípios do casamento, como a fidelidade e os objetivos de constituir família.

De acordo com o arcebispo de Campo Grande, a Igreja não admite, ainda, a nulidade do casamento como sacramento, mas a anulação, que daria direito a um novo casamento, é possível se o Tribunal Eclesiástico constatar que “na prática” o casamento não existia segundo seus princípios. O arcebispo cita exemplo de uma mulher que descobriu após o casamento que o marido tinha crises psiquiátricas, que o tornavam violento e eram um risco à família. O Tribunal entendeu que não havia motivo para anular o sacramento. Mas a mulher apurou que antes do casamento o parceiro havia tido uma internação psiquiátrica, portanto, esse aspecto foi acatado no recurso da anulação, pois antecedeu ao casamento. “É preciso comprovar, mesmo que no passar do tempo, que o companheiro nunca quis ter filhos, nunca pensou em cumprir as obrigações matrimoniais” para terminar um casamento perante a Igreja com possibilidade de um segundo matrimônio.

Dom Dimas Lara e o diretor-presidente da RTVE na porta principal das emissoras do Estado
Dom Dimas Lara e o diretor-presidente da RTVE, jornalista Bosco Martins, na porta principal das emissoras do Estado

Maioridade penal

Na entrevista ao Jornal do Rádio e Jornal da TVE, o arcebispo metropolitano de Campo Grande manifestou-se contrário à redução da maioridade penal e condenou o sistema de ensino público.. Disse que “a própria ciência tem os resultados de uma educação familiar, digamos, capenga”. A seu ver, o grande conflito da educação familiar passa pela violência doméstica, o excesso de carinho, e à falta de limites “que é um  grande desafio das novas gerações, de modo que é preciso educar as famílias na vivência da fraternidade e da caridade, no perdão e no diálogo”.

Dom Dimas Lara disse que apoia a posição do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, sobre a manutenção da maioridade aos 18, lembrando que a Pastoral Carcerária diagnosticou no Brasil um “Sistema Penal falido e burro”, porque o preso “entra ladrão de galinha e sai membro de uma facção criminosa. Se não conseguirmos fazer a ação sócioeducacional, o Estatuto da Criança e do Adolescente continua sendo apenas um ideal”.

O arcebispo menciona a “ditadura do relativismo” e lembra que hoje “é proibido proibir, mas não só isso, quase que é crime atribuir responsabilidades às crianças, de tal maneira que quem perde a autoridade cada vez mais  é o próprio professor. Antigamente ser professor era uma honra, hoje é um carma para muitos, porque o professor está sujeito a todo tido de abuso, de políticas e vinganças”, afirma dom Dimas, citando caso de professor que sofreu ação de danos morais por ser chamado a atenção de aluno que ficava o tempo todo usando o telefone celular na sala de aula.

Dom Dimas defende reforma profunda nos conceitos da educação familiar e acha que deveria ser implementada a disciplina de educação religiosa nas escolas como foi aprovado pelo acordo assinado pelo Brasil e a Santa Sé. Pelo acordo, o ensino religioso, confessional e plural, é obrigatório nas escolas e facultativo para os alunos, ou seja, a escola oferece o conteúdo e os alunos que quiserem absorver os chamados valores universais têm toda liberdade para optar.

O arcebispo metropolitano de Campo Grande entende também que há ainda a crise forjada pela competitividade exacerbada e cita o exemplo da especialidade médica. “Hoje você tem o ortopedista especialista na mão direita, outro em perna… Não há mais a visão de conjunto”. No caso da família, dom Dimas diz que a escola não é lugar para ensinar a vivência sexual e por estarmos vivendo em um mundo que se transformou em “aldeia global”, a sexualidade desperta mais cedo e meninas podem engravidar aos nove anos. “Cabe à família preparar as crianças para a vivência da sexualidade”.

Arcebispo participa de cerimônia da Campanha do Agasalho no Auditório da Governadoria
Arcebispo participa de cerimônia da Campanha do Agasalho no Auditório da Governadoria

Campanha do Agasalho

Após a entrevista na RTVE, a convite do governador Reinaldo Azambuja, o arcebispo de Campo Grande, junto com o diretor-presidente das emissoras do Estado, jornalista Bosco Martins, participou no auditório da Governadoria da cerimônia de entrega de donativos da Campanha do Agasalho promovida entre os servidores públicos estaduais.

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