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EM TEMPOS DE CARNAVAL, DELINHA A ‘POPSTAR CABOCLA’ VIVE SEU AUGE

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Foto: Mauricio Alves

Em tempos de carnaval Delinha vive seu auge e dias de glória, com amigos e fãs e uma rotina cheia de shows pelos bailes, fazendas, ranchos, associações e colônias da cidade. Quem não curte carnaval e prefere o som da rainha do rasqueado, Delinha faz mais uma apresentação especial na mais nova casa de baladas de Campo Grande, a “Bulls Pub” localizado no coração da Avenida Afonso Pena.

Este é apenas mais um dos muitos shows que a nossa popstar cabocla, aos 81 anos, sendo 60 anos de carreira, traz para seus fãs neste final de semana, demonstrando virtuose e vitalidade em pleno reinado de momo.

Foto: Mauricio Alves

Nesta matéria, acompanhamos um dia da nossa popstar num show realizado na colônia Paraguaia (dia 5, “em comemoração de 20 anos   do “Churrasco Prá Lá de Bom”). Delinha viveu mais um dia de glória, quando foi ovacionada por mais de três mil pessoas que que lotaram a Colônia.

Além dela, do filho João Paulo e o grupo Velho Aposento, a festa reuniu ícones da música campeira de MS, como o Grupo Pantaneiro, Azes do Chamamé, Eco do Pantanal, Laço de Ouro, Chama Campeira, Gregório, Ivo de Souza e Zézinho Nantes.

Delinha antes de iniciar a sua apresentação, convidou o jornalista e amigo Bosco Martins para subir ao palco. Em tom de descontração, o jornalista lança para o delírio da plateia presente, o seguinte desafio: Quem conhece a Madona levanta a mão? Algumas pessoas se pronunciam. Quem conhece a Delinha?

De forma espontânea mais de 3 mil pessoas levantam a mão para regalo e alegria da artista que fez da profissão um sacerdócio.

Faceira que só, com a casa cheia e as pessoas entoando seu nome, Delinha, com uma garrafa de agua mineral na mão, no lugar do conhaque, iniciava mais um show, em mais um dia de glória e inesquecível para ela e seus milhares de admiradores e fãs.

Nos primeiros acordes do violão tocado pelo filho João Paulo, o delírio já era total com a plateia ainda aclamando e gritando o nome dela e toda feliz, de cima do palco se deliciava e com um sorriso largo, abanando as mãos e enviando beijos para seu público.

Foto: Mauricio Alves

Delanira Pereira Gonçalves, seu nome de batismo, pode ser pouco conhecido, mas sua trajetória artística embora não a tivesse enriquecido tornou a dama do rasqueado uma das cantoras/compositoras mais amadas de MS.

Desde o primeiro momento que chegou na colônia, por volta das 9 horas da manhã, não teve um minuto sequer de sossego.   Ela ia de uma mesa à outra dando autógrafos e tirando selfs com fãs e admiradores. Em pelo menos duas de suas idas ao toalete, distante poucos metros de sua mesa, contabilizamos ao menos umas quarenta paradas para cumprimentos, abraços e selfies, muitas selfies.

O assédio era tanto, que Delinha dizia sentir-se ansiosa para cantar e brincava ao afirmar que estava “igual uma guria estreante”, mais seu show só se iniciaria às 14 horas daquele domingo, cinco após sua chegada ao local.

Foto: Mauricio Alves

Eram familiares, compadres, fãs e amigos querendo dar os parabéns “pela fibra e carreira de guerreira” ao levarem uma foto ou mesmo um autógrafo, nos lugares mais estranhos, como cuia de tereré feita em chifre de boi ou mesmo em chapéu de couro, numa camiseta, até no original caderninho de recados.

– Nem dormi direito – em virtude da tensão de dar o melhor de mim em todo o show que faço e da alegria em rever meus amigos, dizia ela.

O filho João Paulo já havia antecipado que a mãe acordara às 3 horas da manhã, para lavar pratos e roupas, para diminuir a ansiedade, enquanto aguardava o momento de vir para a festa. Além do conhaque Delinha, nessa nova fase trocou os dois maços de cigarro que fumava diariamente, por apenas dois cigarros, que agora fuma um pouquinho e apaga para dar outra tragada mais tarde, pois não quer infringir o compromisso com o médico e o filho que também cuidam e cobram dela a diminuição do cigarro.

Na festa, apesar de diversos grupos e cantores baleiros também bastante admirados pelo público, não havia como não se impressionar com o carisma da artista que por onde passava as pessoas queriam se aproximar para fotos ou mesmo trocar rápidas palavras com ela.

Foto: Mauricio Alves

Afinal, não é todo dia que Delinha está exposta assim para seu público, mas humilde ela disse que não se sente uma estrela:

– Foi uma conquista nestes anos de carreira, diz com abissal humildade.

– Meu eu sonho agora é usufruir mais do carinho de meus fãs.

Mais o dia de uma popstar não é nada fácil. Modelito fashion, uma sainha rodada, maquiagem impecável, batonzinho vermelho nos lábios, e o principal, soltar a voz no palco para alegria e felicidade de uma casa cheia de bons ouvintes e admiradores da boa música baileira, ou rasqueado ou chamamezeira, como queiram, mais que toca fundo no coração e alma de milhares de pessoas que cantam e se emocionam com a seleção apresentada por ela. E que trazem suas canções na ponta da língua.

Dia dos Baileiros e a Conversa Fiada entre Delinha e o Jornalista

Foto: Mauricio Alves

Antes de iniciar o show, o amigo e jornalista Bosco Martins que no evento esteve representando o Governador Reinaldo Azambuja assumiu o compromisso de levar ao governo a proposta de tornar o dia 5 de fevereiro, data de aniversário   da festa promovida há 20 anos pelo radialista e locutor Cicero Matos, como “O dia dos Baileiros”. Martins justificou em sua fala no palco aprovada pelos presentes o seguinte:

“Temos  o reconhecimento musical nacional dos sertanejos, com a música de  Teló, Luan, João Bosco e Vinicius, etc. E temos  a música brasileira de MS, também muito bem representada por Almir, Simões, os Espíndolas e Cia. Por isso, nada mais justo que denominarmos oficialmente o dia dessa grande festa como  o “Dia dos Baileiros”, pois essa autêntica expressão de nossa música,  que é o  rasqueado tocado  por Delinha e os baileiros e que lotam festas como essa ou mesmo as festas de peão e Clubes do Laço, do interior e da Capital,  tenham também o seu devido reconhecimento e  valorização”, finalizou.

Foto: Mauricio Alves

Amigo de longa data de Delinha e Délio, e sendo um dos incentivadores da música de MS, o Jornalista e a cantora compositora sentaram-se na mesma mesa e conversaram longamente, naquilo que o jornalista denominou de “Conversa Fiada com Delinha”. Um bate papo descontraído entre os dois e gravado através de um smartphone e que acabou rendendo um bom material do pensamento da artista e que trazemos alguns trechos com exclusividade.

Religiosa e católica, apostólica e romana, diferente da conterrânea Helena Meireles, Delinha revela ao jornalista a primeira e única vez que frequentou uma zona de meretrício. ” Foi com meu marido o Jairo, era um puteiro que tinha no Jardim Paulista em Campo Grande.  Só que fomos muito cedo era uma três da tarde e as meninas estavam todas dormindo ainda.  Tomamos umas biritas e fomos embora antes do bafafá começar” contou Delinha, rindo à beça de sua estória hilária.

Veja mais da conversa entre os dois:

DELINHA E A RELIGIÃO

– Não sou uma carola mais sou católica. Para mim quanto é religião que fala em Deus e Jesus, tá bom. Acredito em tudo. Eu acho que se as pessoas entendessem que tinham que se unir, era melhor.

SERTANEJO UNIVERSITÁRIO

– Não é meu estilo, mas a turma gosta, como gosta do meu rosqueado, não posso falar mal.  Já fiz  shows com essa gurizada e eles adoram e cantam comigo as minhas músicas. Vez ou outra onde cantam levam alguns artistas de raiz para cantar. Estive na Valey. A meninada veio toda para cima de mim, filmando e fotografando. Os pais deles então me adoram. Então, esse carinho passou de pai para filho, não tenho o que me queixar.

Fotos: Maurício Alves

O SERTANEJO UNIVERSITÁRIO É MAIS VALORIZADO

– Penso que sim. Mudou muito o estilo e hoje é muito mais fácil gravar. Naquela época só tocávamos de madrugada. Mas a música raiz é moda de viola, a nossa é o rasqueado.

NÃO GOSTARIA DE DE GANHAR IGUAL A ELES?

– Não existe isso aí de injustiça.  Cada qual cada qual. Eu que tenho que fazer pela minha própria vida. Eu que tenho de fazer justiça porque esse povo gosta de mim. Tem até um povo do sertanejo que me ajuda, manda dinheiro para mim, só agradeço.

Fotos: Maurício Alves

DINHEIRO E A PROFISSÃO

– Não ganhei. Se não houve monetariamente uma ascensão é por que não era para ser. Deus é maior.

NÃO VIVE SÓ DE SHOWS

– Eu tenho o LOAS (Lei Orgânica de Assistência Social).  Os políticos já propuseram aposentadoria vitalícia de montão, nunca sai do papel.  Delio e Delinha foram os primeiros a sair daqui para levar o rasqueado para São Paulo. O Délio faleceu de um câncer se tratando na saúde pública. Até a última gota de vida, ele estava cantando para poder sobreviver.

PENSÃO COMO RECONHECIMENTO

– O Amambai e Amambaí, por exemplo, tinham que ter uma ajudinha. Na velhice, você já não tem aquela vontade de cantar. Você vai por que precisa.

NUNCA SE ESQUECEU

Fotos: Maurício Alves

– Em São Paulo, o primeiro show de Délio e Delinha. Trabalhávamos em circo. Antes de chegar a São Paulo, nos apresentaríamos em Santa Rica de Extrema, em Minas. Chegamos e olhamos o circo no chão. Nós tínhamos gastado todo nosso dinheiro. Só ficou o dinheiro de volta, só que o Délio guardou o dinheiro para pagar o hotel. Aí fomos falar com o dono do circo. O cara brigou comigo, terminou de derrubar a lona e disse que não ia ter show e nos mandou embora. Seguimos para São Paulo de ônibus passando sede e fome. Naquela época não se tinha nada no meio da estrada. Chegamos a São Paulo sem dinheiro. Ficamos oito anos morando lá.

DÉLIO E JAIRO

– Quando separei do Délio ficamos uns 20 ou 15 anos um longe do outro. Voltamos para gravar o disco independente “O Sol e a Lua” em 1981. Eu já estava casada com o Jairo que foi meu grande companheiro. Com ele, morei 32 anos. Com o Délio foram uns 20. Fazíamos os shows juntos. Paramos a dupla outra vez. Por fim, voltamos e ficamos. Nessa época, ele já estava doente.

COMO NASCEU O “ SOL E A LUA”

– Ao contrário do que pensam não fiz essa música por causa do Délio. Eu já estava separada. A inspiração surgiu e eu escrevi em 1978 ou 1979. Peguei um violão e a música veio quase inteira. Não teve nada a ver com Délio ou Jairo.

FARIA TUDO OUTRA VEZ.

– Só me arrependo do que eu não fiz. O arrependimento é ruim. A consciência pesada é péssima. Então eu não tenho nada dessas coisas comigo, graças a Deus.

ROTINA

– Vivo na mesma casinha da música que fiz para ela: “Velha Casinha”. Me levanto às 03h30. O João Paulo tem que estar às 5 horas na rádio Educativa, onde trabalha. Então, faço café e depois lavo roupa e passo e já vou pensando o que não fazer o almoço.

FIEL TORCIDA

– Comercialina da gema e de coração, Delinha tem um séquito de fãs e seguidora apaixonados que mais se assemelha a uma torcida organizada de futebol e acompanham a cantora em todos seus shows, transformando-a numa popstar cabocla.
Japorã, Bela Vista, Laguna Caraapã, Bocaja, Alto Caracol, Ponta Porá, Caarapó, Caracol, Bonito, Tacuru, Inhanhumas, Sanga Puitã, gente de todo lugares e matizes A paraguaia  Betty Badaui  já  conhecia Delio e Delinha, mais assim  ao vivo e a cores era a primeira vez: “Una mujer talentosa, inteligente y persevarente, me encantó, buenísima.”

Outra fã, Maria José Amapola, assina embaixo o depoimento da amiga:  Delinha nos da a certeza de que nunca é tarde para brilhar! Quem é Estrela como ela um dia mais cedo ou tarde, acontece!!!”.  Valdivino Ribeiro destrona a mídia: “ Olha um evento desse e não tem ninguém aqui cobrindo. È assim mesmo, vergonha pra mídia nacional primeiro lá fora, mais o Brasil e o MS são assim mesmo.  Os daqui pouco tem valor e os que tem valor para a mídia não valem nada, não prestam e só para a mídia mesmo porque para o gosto em geral, está mais baixo do que barriga de cobra. ” e cai em uma sonora gargalhada. Outro fã, Cleverson Scheverria areremata: “ Assisti vários shows desta maravilhosa dama do rasqueado, inclusive em homenagem aos seus 70 anos. Uma vez ela e filho João Paulo cantaram só para mim, no camarim. Foi demais! ” Dona Kathia Herrera é aposentada da prefeitura de Campo Grande e ganhou o direito de conhecer Délinha pessoalmente através do programa “ Só Modão” apresentado pelo filho João Paulo ela tem 73 anos e vai conhecer pela primeira vez a artista a emoção de dona Kathia é transparente as duas se abraçam e conversam, dona Kathia diz: “ Sou de Ainhumas mais tenho irmã em Vista Alegre (distrito de Maracaju, onde Délinha nasceu) a e também era sua fã”. “ Foi por volta de 58, mais ou menos, eu nasci em Vista Alegre, distrito de Maracaju e morei em vários lugares, diz. Delinha tá muito bem de saúde, embora os últimos anos a tenham deixado ainda mais magrinha. Mais bonita não poderia estar, com uma blusa rosa vibrante em combinação com os grandes brincos coloridos e a saia toda colorida. Assediada por dezenas de fãs e admiradores, “ A Rainha do Rasqueado” só conseguia circular entre o público, sendo levada por amigos e “compadres”, num   verdadeiro cordão de isolamento para ela possa circular pelo local e chegar até o palco onde apresentaria seu show, numa demonstração clara que mesmo em tempos de carnaval ela ainda vive o auge de sua carreira artística.

Delinha se iniciou em música no final da década de 50.

Assista um pequeno trecho da “Conversa Fiada” entre Delinha e o Jornalista Bosco Martins:

 

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