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22 de abril de 2024 - 08:53

Simone Tebet: “Só teremos mulheres competindo em igualdade de condições quando elas estiverem no comando dos partidos”

A entrevista desta semana é com a senadora Simone Tebet (MDB), eleita para o Senado Federal em 2014. Ela já foi deputado estadual, prefeita de Três Lagoas e vice-governadora. Nesta entrevista exclusiva para o EntrevistaPortal ela  fala de seu futuro político, do futuro de seu partido e de como está enfrentando a pandemia.  

  • Qual será o futuro do MDB em Mato Grosso do Sul, que teve um desempenho considerado fraco em MS nas últimas eleições?

Simone TebetO MDB continua sendo o partido com maior capilaridade no Brasil. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o MDB lidera o ranking dos eleitos no primeiro turno, com 8.709 candidatos vitoriosos nas urnas, o que representa 12,76% do total, sendo 772 prefeitos, 660 vice-prefeitos e 7.277 vereadores. São números bastante significativos.

Em Mato Grosso do Sul, houve uma redução da quantidade de prefeituras, mas ainda somos o terceiro partido com mais municípios no Estado. Além disso, temos de considerar que, em muitos municípios, o MDB não lançou candidatos e apoiou outros partidos vencedores, como o PSDB e o DEM.

Essa avaliação não nos pode levar à acomodação. Ao contrário, devemos analisar o que as urnas nos trouxeram, para ver e analisar nossos pontos fortes e fracos. Até 2022, teremos muito trabalho pela frente. Melhorar a comunicação, abrir o partido a novas lideranças e, principalmente, ouvir ainda mais a comunidade.

  • Como mulher e como advogada, como a senhora vê os últimos acontecimentos envolvendo a Justiça e os direitos das mulheres, como no caso Mari Ferrer?

Simone Tebet–Lamentável. No dia em que o vídeo foi divulgado, fomos tomados por uma sensação de indignação. Presenciamos uma violência institucional. Impossível aquele vídeo tão chocante não provocasse tamanha reação, como a que veio de imediato.Depois, o Ministério Público, o advogado e o próprio Juiz apresentaram suas defesas. Cabe, agora, aos órgãos competentes (CNJ, CNMP e OAB) investigar e determinar as possíveis punições.

Houve a alegação de que o vídeo foi editado pelo Intercept Brasil. Realmente, foi. Mas a edição não criou todas aquelas agressões, o machismo e o profundo desrespeito, com os quais a Mari Ferrer foi tratada. Como advogada, como mulher e como cidadã,  realmente espero uma resposta enérgica a esse fato, e a tantos outros que fogem ao alcance da mídia. O Sistema Judiciário deve ser justo e encorajar as vítimas; caso contrário, continuaremos eternamente com a estimativa de que 90% dos casos de estupros, por exemplo, não chegam nem a ser notificados. 

  • Apesar de numericamente maior, não houve um crescimento importante no número de mulheres eleitas. Qual o motivo, na sua opinião?
28/06/2016. Crédito: Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/D.A Press. Perfil da Senadora Simone Tebet (PMDB-MS) e sua trajetória política.

Simone Tebet–As urnas nos indicam que ainda existem inúmeras batalhas a enfrentar e o movimento “Mais Mulheres na Política” não pode arrefecer. Precisamos ir além. Por isso, apresentei um projeto de lei que pode ser um divisor de águas. A ideia é que só teremos mulheres competindo em igualdade de condições quando elas estiverem no comando dos partidos e puderem selecionar candidatas com reais chances de vencer.

O PL 4.391/2020 prevê que, até 2028, no mínimo 30% dos cargos de direção, assessoramento e apoio de órgãos partidários, bem como nos institutos e fundações, sejam compostos por mulheres. Colegiados que descumprirem a cota serão dissolvidos e terão suas decisões anuladas. Somos 45% dos filiados aos partidos políticos. No entanto, apenas 14,4% em alguma função diretiva nas legendas.

Minha proposta visa equilibrar melhor esta equação. Também proponho que os órgãos de juventude dos partidos sejam ocupados em 50% por cada sexo. Se, desde cedo, o espaço efetivo ao olhar feminino dentro das agremiações políticas estiver garantido, haverá mais equilíbrio e condições de redirecionar o rumo da política.

  • No caso da gestão federal, faça uma análise da atuação do governo no combate a Covid 19.

Simone Tebet–A pandemia acometeu o mundo de maneira inédita. Infelizmente, no Brasil, houve momentos de negacionismo e de minimização do problema. Mas acho que muito mais importantes do que as palavras mal postas foram as ações. O Congresso Nacional conseguiu aprovar diversas medidas para que o Governo Federal pudesse responder às demandas urgentes da pandemia: auxílio emergencial aos vulneráveis; recursos para a saúde; medidas para evitar a falência de empresas; flexibilização de regras trabalhistas; socorro a estados e municípios. Todas essas ações foram essenciais para que a gente pudesse atravessar essa fase sem precedentes na história do País e do mundo. E isso ocorreu via construção de consensos entre a equipe do governo e o Congresso Nacional.

5- Acredita que teremos vacina nos próximos dois meses? Se não, pode apontar o motivo?

Simone Tebet–Esse é o nosso maior desejo. A imunização significa a retomada da vida ao seu normal. Eu espero realmente que sim, embora o prazo de dois meses possa ser otimista demais. Já ouvi falar que seria a partir de março/abril, ou no primeiro semestre. Vamos aguardar com esperança. Que venham as vacinas rapidamente, e que elas sejam acompanhadas das necessárias segurança e credibilidade.

  • No geral, como avalia o desempenho do Governo Federal? Se possível, dê uma nota.

Simone Tebet–Setores do Governo que têm desempenhado um excelente trabalho, como é o caso da Infraestrutura, com o Ministro Tarcísio de Freitas; da Agricultura, com a nossa Ministra Teresa Cristina. A Economia, do Ministro Paulo Guedes, tem tentado desempenhar um bom papel, mas, neste momento difícil, tem tropeçado em pautas essenciais e urgentes. Este é o caso da Reforma Tributária e da proposta de Renda Cidadã. O ano já está acabando e ainda aguardamos as propostas do Governo para deliberar no Congresso. Outras pastas, infelizmente, se perderam em diversionismos ideológicos. Por tudo isso, acho que o Governo “passou de ano” com nota 7.

  • E do Governo Estadual? Como tem sido a relação do Senado e de sua parte, com o governo do MS. Se possível, também dê uma nota para o governo?

Simone Tebet– Eu tenho uma relação cordial com o Governador Reinaldo Azambuja. Independentemente de estarmos em partidos distintos, no que me cabe, atuamos em conjunto para suprir as necessidades do Estado. Sempre que posso, contribuo para a destinação de recursos e com a solicitação de verbas extraorçamentárias, para ações que contribuam na melhoria da qualidade de vida da nossa população. Como a atuação do Governo do Estado, assim como a das prefeituras, está mais próxima ao dia a dia da população, deixo a cada um a atribuição da nota. Na Política, há sempre o que possa melhorar. 

  • Faltando dois anos para terminar seu mandato, já existe uma perspectiva para seu futuro político. Reeleição ou Governo do MS?

Simone Tebet–Meu compromisso com o povo de Mato Grosso do Sul é o de cumprir com as minhas atribuições de senadora da República da maneira mais eficiente possível. O certo é que estarei sempre disposta a fazer o que for melhor para o meu Estado. Se a população entender que sou merecedora de mais um voto de confiança, continuarei atuando em prol da Política com P maiúsculo.

  • Como está enfrentando a quarentena? Está lendo algum livro. Se sim, qual?

Simone Tebet–Tenho procurado conjugar as recomendações da ciência com as necessidades da Política. As viagens semanais a Brasília foram substituídas pelas infindáveis horas na frente do celular e do computador, participando de sessões virtuais, de lives, de entrevistas e de audiências on line. A minha tese, desde o início desta pandemia, é que a Política é, também, uma atividade essencial. Não se pode negar que o essencial foi votado, mas creio que poderíamos avançar muito mais, e com maior profundidade, com maior número de sessões presenciais, obviamente que respeitados todos os protocolos, em assuntos que serão prioritários no período imediatamente posterior à pandemia, como a necessidade da geração de empregos e o enfrentamento das nossas desigualdades sociais, mais agudas agora que antes.

É nessa direção que tenho procurado me envolver com as minhas leituras. Tenho priorizado artigos técnicos e livros que permitam fundamentar o conteúdo e a melhor forma para as ações necessárias para o agora e para o que virá. A pandemia humanitária, infelizmente, ainda seguirá adiante, muito além da vacina. A Política nunca foi chamada com tamanha necessidade para a busca não somente de uma “vacina”, mas, também, dos melhores remédios curativos dos efeitos colaterais da pandemia sanitária. Mas conjugar a ciência e a política também não impedem a convivência em família e, por que não, as minhas leituras prediletas de sempre (que podem ser repetidas porque trazem, em si, o dom da adaptação a cada contexto e a cada momento) de Fernando Pessoa, de Mário Quintana e de Manoel de Barros. São leituras que aquietam a alma, ferida também com os números diários da pandemia.

  • A senhora acha que existe racismo no Brasil?

Simone Tebet–Infelizmente, sim. Às vezes velado, muitas vezes explícito. É certo que já houve avanços com políticas de cotas raciais, criminalização do racismo, maior inserção do negro no mercado de trabalho, na cultura, na publicidade. Enfim, as conquistas devem ser validadas, mas um longo caminho ainda está sendo trilhado. A questão é cultural, de consciência, de respeito ao próximo.

O racismo também vem acompanhado pelo preconceito social. Por isso, advogo que, entre as principais chagas a serem erradicadas, repito e com maior ênfase ainda nesse caso, a desigualdade extrema e a miséria. Só assim, construiremos uma sociedade mais justa e solidária. Só assim, caminhará a humanidade. Só assim, avançaremos no processo civilizatório

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