Médico do Civitox detalha no Bom Dia Campo Grande os cuidados contra intoxicações em casa e alerta sobre “epidemia de escorpiões”

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Na Educativa 104.7 FM, Alexandre Moretti pede atenção das famílias com produtos como venenos e itens de limpeza e recomenda cautela em relação a aracnídeo que pode matar crianças e idosos
Alexandre Moretti recomendou, no Bom Dia Campo Grande, cuidado com o armazenamento de produtos tóxicos nas casas, de venenos a itens de limpeza. (Foto: Pedro Amaral/Fertel)
Alexandre Moretti recomendou, no Bom Dia Campo Grande, cuidado com o armazenamento de produtos tóxicos nas casas, de venenos a itens de limpeza. (Foto: Pedro Amaral/Fertel)

O caso de uma menina de apenas 1 ano e 11 meses que, na semana passada, foi internada na Santa Casa de Campo Grande com intoxicação por ingestão de Amitraz –um carrapaticida usado em banhos de animais– serviu para o Civitox (Centro Integrado de Vigilância Toxicológica, da Secretaria de Estado de Saúde) alertar às famílias sobre o risco que estas e outras substâncias representam ao alcance de crianças, bem como advertir a população para outros riscos ocultos nas residências, como a “epidemia” de escorpiões, que representa um dos problemas que mais dão trabalho ao órgão.

O médico Alexandre Moretti, do Civitox, participou nesta terça-feira (6) do Bom Dia Campo Grande, a fim de dar dicas às famílias sobre como se prevenir para evitar problemas como o da bebê (que já se recuperou) e outros comuns às residências. Ele lembrou que não apenas venenos específicos, mas produtos de limpeza como água sanitária e detergentes são fontes frequentes de acidentes.

“A criança vê a cor do produto, pensa que é um iogurte e ingere. Vê bolinhas e pensa que é uma balinha, quando na verdade é um produto tóxico como a naftalina. São situações muito comuns”, disse Moretti à Educativa 104.7 FM, apontando que, em geral, tal situação ocorre por descuido dos pais ou responsáveis.

“Temos um perfil clássico das intoxicações, que acontecem geralmente de 1 a 5 ou 6 anos, que são acidentais. Depois, na fase mais jovem e adulta, de 15 a 40, há as tentativas de autoextermínio, o suicídio. Sabemos que a depressão é um problema de saúde pública e, quando acontece, a pessoa ingere medicamentos, que são nossa maior estatística”, destacou.

A fim de prestar apoio às famílias, além da orientação de que procurem ajuda médica em prontos-socorros ou UPAs (Unidades de Pronto-Atendimento), o Civitox se coloca à disposição da população pelos telefones 150, 0800-722-6001 e (67) 3386-8655.

Cuidados

Em relação aos produtos tóxicos, sejam venenos ou parta limpeza, Moretti reiterou o cuidado de se deixar as substâncias em locais altos e de difícil acesso para crianças que, em segundos, podem os ingerir.

Médico do Civitox afirma que, em casos de suspeita de intoxicação, deve-se buscar ajuda especializada imediatamente. (Foto: Pedro Amaral/Fertel)
Médico do Civitox afirma que, em casos de suspeita de intoxicação, deve-se buscar ajuda especializada imediatamente. (Foto: Pedro Amaral/Fertel)

Ele apontou uma dificuldade em apontar estatísticas exatas sobre o número de casos, uma vez que nem sempre os profissionais de saúde informam ao Civitox sobre o atendimento dessas ocorrências –porque, muitas vezes, o médico ou enfermeiro têm conhecimento do tema e não dependem da orientação dos especialistas em toxicologia clínica.

O caso de intoxicação por Amitraz foi acompanhado pelo órgão. A criança envenenada sofreu rebaixamento do nível de consciência e precisou ser intubada no CTI (Centro de Terapia Intensiva), passando por lavagem gástrica e tratamento inicial com carvão ativado. “Como o acidente ocorreu em um espaço de 10, 15 minutos, fez o que tinha de ser feito com o cartão ativado, o ‘antídoto universal padrão ouro’”, comentou.

A atenção quanto ao contato de crianças com tais produtos se deve à chamada “fase oral”, quando menores tendem a colocar praticamente tudo na boca por curiosidade. Assim, é importante prestar atenção a sintomas de intoxicação para providenciar atendimento.

“Tem de prestar muita atenção com relação ao nível de consciência. Intoxicações, em geral, atingem o sistema cardiovascular. Começa a cair a pressão, a frequência cardíaca e os batimentos, ou, dependendo do agente, podem aumentar. O nível de consciência também é um alerta: a criança está bem acordada, responsiva, e começa a ficar sonolenta até evoluir para um coma. Ou então ter muita agitação. Também pode ocorrer de a criança ficar cianótica, isto é, azulada nas extremidades e na boca”, pontuou.

Escorpiões

Outro ponto que precisa ser observado é a sazonalidade, no caso, as estações do ano. “No verão temos muitos acidentes com animais peçonhentos. Vivemos uma epidemia de escorpiões”, afirmou Alexandre Moretti, apontando que, no caso de crianças e idosos que sofram alguma doença, as picadas do aracnídeo podem ser fatais.

“Não é toda a criança que precisa de soro, mas elas têm uma chance maior. Há ainda as questões do peso corporal e da sensibilidade, já que crianças são mais sensíveis ao veneno do escorpião”, afirmou. Na mesma época em que a garota envenenada com o carrapaticida era tratada na Santa Casa, outra criança demandou tratamento contra veneno de escorpião, dependendo de soro e intubação. “Ela teve crise convulsiva, sialorreia (salivação em excesso), náusea e vômitos”.

Moretti lembrou que, durante o inverno, os escorpiões costumam ficar quietos, mas após a primavera tem início a temporada dos animais peçonhentos. Nas áreas urbanas, o escorpião é um problema sério, reiterou. Em caso de picada, ele pede que a pessoa mantenha a calma e siga para uma unidade de atendimento de urgência imediatamente.

O principal sintoma do ataque por escorpiões é a dor, presente entre 95% e 99% dos casos. “Não existe picada sem dor, que é variável. Pode ser leve, moderada ou intensa. E depende também da espécie, já que há escorpiões cuja toxina não causa tanta dor”, contou o médico. O local da picada pode não apresentar sinais, ficando levemente avermelhado.

Das espécies mais perigosas, o Tityus serrulatus –o escorpião amarelo– está entre as mais tóxicas, principalmente para crianças de até 12 anos e idosos, devido à perda de massa muscular e a presença de outras doenças (como as cardíacas e respiratórias).

Moretti destacou que Campo Grande vive uma "epidemia" de escorpiões, recomendando a limpeza de imóveis como o combate mais eficiente ao aracnídeo. (Foto: Pedro Amaral/Fertel)
Moretti destacou que Campo Grande vive uma “epidemia” de escorpiões, recomendando a limpeza de imóveis como o combate mais eficiente ao aracnídeo. (Foto: Pedro Amaral/Fertel)

Em caso de picada, é preciso manter observação da vítima entre 2 e 4 horas, a fim de verificar evolução da intoxicação –a partir da ocorrência de náuseas e vômitos, sudorese, salivação, taquicardia (batimentos cardíacos acelerados) ou bradicardia (batimentos lentos do coração), agitação. O envenenamento pode causar insuficiência cardíaca e cardiovascular, levando a óbito. Por outro lado, sequelas em pacientes recuperados são menos comuns.

Combate

Alexandre Moretto conta que a melhor forma de combater os escorpiões começa pela limpeza do ambiente, onde o aracnídeo busca seus alimentos –como baratas e outros insetos. “É um animal de hábito noturno, principalmente, então sai para perambular, em geral, à noite. O ideal é realizar o controle ambiental: retirar folhagens, entulhos, vedar ralos e fechar frestas de portas”, destacou o especialista.

O médico do Civitox advertiu que nem sempre o veneno é indicado para matar escorpiões, já que força o animal a deixar suas tocas e o deixa ouriçado. “Isso aumenta a possibilidade de contato com o homem e as picadas”, disse, reforçando a importância da remoção de lixo e entulhos de quintais.

“Onde tem barata? Onde há sujeira. Então, manter o ambiente limpo e o lixo fechado é importante. E não só o nosso ambiente, mas ao redor. Às vezes mora em um local limpo, mas no vizinho está cheio de entulho. Tem de se policiar nesse sentido”, sentenciou.

Por fim, o médico do Civitox reiterou que o órgão está à disposição da população para tirar dúvidas não apenas sobre intoxicações, mas sobre o uso de medicamentos e seus efeitos colaterais.

Sintonize – Com produção de Rose Rodrigues e Alisson Ishy e apresentação de Maristela Cantadori e Anderson Barão, o Bom Dia Campo Grande permite a você começar o seu dia sempre bem informado, por meio de um noticiário completo, blocos temáticos e entrevistas sobre assuntos variados. O programa vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 7h às 8h30, na Educativa 104.7 FM e pelo Portal da Educativa.  Os ouvintes podem participar enviando perguntas, sugestões e comentários pelo WhatsApp (67) 99333-1047 ou pelo e-mail reporter104fm@gmail.com.


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