Conscientização sobre consumo responsável também integra ações de reinserção em presídio da Capital

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Conscientização sobre economia familiar e consumo consciente também são necessários no processo de ressocialização, tendo em vista, que, muitas vezes, o endividamento acaba sendo uma das causas da criminalidade.

Anualmente, 15 de março é celebrado Dia Mundial dos Direitos do Consumidor, conforme instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), e detentas que cumprem pena no estabelecimento Penal Feminino de Regime Semiaberto de Campo Grande (EPFRSAAA-CG) têm um motivo a mais para a comemorar a data, que marca a necessidade não só de compreender e buscar direitos enquanto consumidor, mas também do consumo consciente, sem exageros ou desperdícios.

As reeducandas do EPFRSAAA-CG foram capacitadas pelo Projeto Ecco – Educação para o Consumo Consciente, idealizado pela advogada Carolina Bitante, que visa educar os cidadãos para o consumo econômica e ecologicamente sustentável, buscando evitar e até mesmo tratar o problema do superendividamento.

A ideia de atender internas nesta iniciativa, segundo Carolina, surgiu no período em que atuou na Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) e pode ter mais contato com este público. “Ajudar a desenvolver senso de responsabilidade, independência e autoestima é a missão desse projeto”, comenta a voluntária.

Durante a capacitação, as detentas receberam noções básicas de direito do consumidor, ecologia e de organização financeira, além de serem incentivadas a refletirem sobre a forma como lidam com sua renda, e aprenderam estratégias para não se endividar, ou mesmo para conseguir quitar dívidas fora de controle.  “Demonstrei a elas que as ofertas nem sempre são o que aparentam, e que consumir não pode ter o papel de compensação emocional”, ressalta a advogada. “E como o próprio nome sugere, que cada uma delas possa fazer esse aprendizado ecoar para fora dos muros”, complementa.

A capacitação foi realizada no segundo semestre do ano passado, mas até hoje reflete na qualidade de vida das internas. É o que garante a reeducanda Sônia Laurentino, uma das participantes.

“Aprendemos a fazer planilhas para controlar os gastos, cortar o que não era importante e gastar somente o necessário”, comenta a interna. “A gente aprendeu a prestar mais atenção no que está comprando”, completa.

Com o a conscientização e estratégias adquiridas durante a participação no projeto, Sônia revela que o salário conquistado com seu trabalho está rendendo muito mais. “A partir do momento em que a gente entende e vê no que está gastando, é possível fazer mais”, afirma.

O trabalho também teve impacto positivo na interna Flávia Pereira Gomes, que aprendeu a não comprar por impulso. “A gente percebeu que muitas vezes dão facilidade para a gente comprar e depois cobram juros muito altos. Peguei como dica para minha vida para quando eu sair daqui, entender o que é necessidade realmente, já que muitas pessoas ficam até depressivas e cometem erros por conta das dívidas”, finalizou a custodiada.

De acordo coma idealizadora do Projeto Ecco, a intenção é que a iniciativa seja retomada este ano com novas parcerias.

Keila Oliveira – Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen)

Foto: Agepen


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