Bom Dia Campo Grande: congresso na UFMS discute efeitos da desinformação no combate a doenças

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Sexta edição do Diern tratará de doenças infecciosas emergentes, reemergentes e negligenciadas, cujo enfrentamento é prejudicado por fake news e informações desencontradas

Entre esta quarta-feira (5) e sexta (8) acontece em Campo Grande a sexta edição do Diern (Congresso do Centro-Oeste sobre Doenças Infecciosas Emergentes, Reemergentes e Negligenciadas). Maior evento da região nesta área, ele acontece no auditório do Laboratório de Análises Clínicas da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), e terá entre seus focos principais o combate à desinformação, conforme destacou ao Bom Dia Campo Grande desta terça-feira (5) a professora Alessandra Gutierrez, da Faculdade de Medicina da UFMS.

Professora da UFMS, Alessandra Gutierrez (à direita) falou ao Bom Dia Campo Grande sobre debates no Diern-2019, que foca doenças infecciosas que retornam ou são negligenciadas. (Foto: Pedro Amaral/Fertel)
Professora da UFMS, Alessandra Gutierrez (à direita) falou ao Bom Dia Campo Grande sobre debates no Diern-2019, que foca doenças infecciosas que retornam ou são negligenciadas. (Foto: Pedro Amaral/Fertel)

O evento é organizado pelo Programa de Pós-Graduação em Doenças Infecciosas e Parasitária das Faculdade, em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde e a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e trará a Campo Grande especialistas nacionais em áreas como arboviroses, fungos, bactérias multirresistentes e ISTs (infecções sexualmente transmissíveis), entre outros temas discutidos em seminários, minicursos e mesas redondas.

Contudo, o tema central do evento, conforme Alessandra, será “Informação, Mídia e Saúde Pública”, como uma resposta à desinformação que passou a ser disseminada por meio de fake news ou movimentos que contestam a ciência. “Quando decidimos fazer esta edição, pensamos em algo que incomoda bastante, que é a questão da desinformação, das fake news, que atrapalham bastante as ações de controle de várias doenças”, justificou a professora.

A intenção é chamar a atenção da população para os efeitos que diferentes movimentos, como o antivacina, podem ter na saúde pública, atingindo sobretudo a prevenção a doenças. “Esse obscurantismo que vivenciamos preocupa bastante, então, o evento vem como possibilidade de colocarmos em pauta discussões relacionadas a doenças infecciosas, emergentes, novas e reemergentes, como o sarampo, que haviam sido erradicadas e estão voltando, e as negligenciadas, caso de todas as parasitárias, que acometem mais pessoas pobres e, talvez, as autoridades não tenham o olhar que deveriam”, afirmou.

Alessandra salientou que, além das dificuldades já existente na Saúde Pública, as contrainformações acabam se consolidando como outra, “um obstáculo que, talvez, esteja entre os mais difíceis”. “A população fica perdida. Em quem ela vai acreditar? Que notícias vai levar a sério? Por isso propusemos essa discussão”.

A aposta é que, com informações apropriadas, será possível conter essa onda. O evento na Capital trará, além de pesquisadores, profissionais e da comunidade acadêmica, usuários do Sistema Único de Saúde para observarem, discutirem e propor alternativas para melhorar o serviço prestado. Uma das palestras tratará justamente da desinformação e das imunizações, com especialistas do Ministério da Saúde.

Emergentes
Segundo Alessandra, pesquisadores de todo o país debaterão evolução das doenças infecciosas emergentes, reemergentes ou negligenciadas. (Foto: Pedro Amaral/Fertel)
Segundo Alessandra, pesquisadores de todo o país debaterão evolução das doenças infecciosas emergentes, reemergentes ou negligenciadas. (Foto: Pedro Amaral/Fertel)

A professora destacou que, entre as doenças infecciosas emergentes, estão o zika e a febre Chikungunya, entre outras cuja transmissão dependem de controle vetorial –o extermínio do mosquito. No caso da zika, estará na Capital a pesquisadora Patrícia Brasil, da Fiocruz, que atou junto a gestantes do Rio de Janeiro e ajudou a identificar a relação da doença com os casos de microcefalia a partir da contaminação das gestantes.

“Ela veio trazer sua experiência”, destacou Alessandra. Um trabalho da UFMS focado no suporte a famílias com crianças que nasceram com microcefalia também será apresentado. “Foi montado um ambulatório na sala de residência médica multiprofissional, que faz todo o acompanhamento. Os relatos são impressionantes. São crianças que precisarão de assistência pelo resto da vida”, salientou.

Da Universidade Federal do Sergipe, o pesquisador Roque Pacheco também trará conclusões sobre uma nova doença identificada naquele Estado, similar à leishmaniose visceral. “Ele é um médico infectologista que percebeu diferenças ao estudar a etiologia para ver qual leishmania afeta a região, e se deparou, não sei dizer, se com uma espécie que é parecida”, disse. A identificação pode ajudar a constatar casos semelhantes em outros locais do país –incluindo Mato Grosso do Sul, onde a doença é comum.

HIV e ISTs

A programação também tratará da infecção por HIV e prevenção às ISTs (infecções sexualmente transmissíveis), com exposição de Rico Vasconcelos, do Hospital das Clínicas, e que está diretamente impacto pela desinformação que pauta o evento.

“Temos uma geração que não vivenciou a problemática da Aids na década de 1980 e, agora, parecem achar que a doença tem tratamento, que não precisam de prevenção ou de se preocuparem”, destacou Alessandra, reforçando que o tratamento para a doença, ainda, exige medicação pelo resto da vida, sendo a prevenção, ainda, a melhor forma de combater a infecção.

Alessandra Gutierrez (à direita) destacou preocupação da comunidade médica com avanço da desinformação. (Foto: Pedro Amaral/Fertel)
Alessandra Gutierrez (à direita) destacou preocupação da comunidade médica com avanço da desinformação. (Foto: Pedro Amaral/Fertel)

“Há muitas informações erradas que acabam atrapalhando as medidas de controle”, explicou. As ISTs entre o público jovem e na terceira idade terão debates próprios. Quando ao segundo grupo, a professora destacou o aumento no número de casos pautados, principalmente, pela troca de informações erradas. “Eles captam muitas mensagens e repassam sem checar a veracidade. Então, convidamos representantes para participarem da mesa redonda, verem o que está sendo discutido e de que forma podem trabalhar a questão”, destacou. O público LGBTI também terá tratamento diferenciado.

Jantar beneficente

Além dos eventos de debate e discussão, o Diern-2019 terá, no dia 8, na sede da Associação dos Funcionários da UFMS, um jantar beneficente que vai angariar recursos para ajudar pacientes do Hospital Dia do HU (Hospital Universitário).

“O hospital atende a pacientes com doenças infecciosas que precisam de tratamento e ajuda para o manter porque, muitas vezes, sequer têm condições de pegar um ônibus”, disse a professora. O Grupo Sampri será uma das atrações do evento. Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail diern.dip.ufms@gmail.com ou na página do congresso.

Sintonize – Com produção de Daniela Benante, Eliane Costa e Alisson Ishy, reportagens de Daniela Nahas, Zilda Vieira, Katiuscia Fernandes, Bernardo Quartin e Gildo Pereira, apresentação de Maristela Cantadori e Anderson Barão, coordenação e edição de Rose Rodrigues e apoio técnico de Roberto Torminn e do DJ juju, o Bom Dia Campo Grande permite a você começar o seu dia sempre bem informado, por meio de um noticiário completo, blocos temáticos e entrevistas sobre assuntos variados.

O programa vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 7h às 8h30, na Educativa 104.7 FM e pelo Portal da Educativa.  Os ouvintes podem participar enviando perguntas, sugestões e comentários pelo WhatsApp (67) 99333-1047 ou pelo e-mail reporter104fm@gmail.com.


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