Pesquisa investiga o comportamento do consumo de produtos orgânicos no Brasil

Compartilhe:

Adotar hábitos saudáveis de alimentação tem se tornado uma crescente entre os brasileiros que gradativamente aumentam o consumo de produtos orgânicos, produzidos sem adição de químicos e agrotóxicos, em uma preocupação que une a busca de saúde com questões ambientais.

Para melhor conhecer alguns aspectos do comportamento do consumo de produtos orgânicos dos brasileiros, o pesquisador e professor Alessandro Silva de Oliveira, do Câmpus de Chapadão do Sul (CPCS), trabalha em pesquisa o desenvolvimento de um novo instrumento para medir a real percepção desses consumidores em relação aos atributos, consequências e valores.

O trabalho é desenvolvido em parceria com o professor Luiz Henrique de Barros Vilas Boas da Universidade Federal de Lavras (UFLA) e os professores da UFMS Francisco de Assis da Silva Medeiros e Ivan Maia Tomé.

“Também é objetivo dessa pesquisa verificar o impacto que essa tríade pode ocasionar na avaliação de pré-compra e na intenção de comprar desses consumidores, assim como o efeito moderador que a orientação para a saúde e as normas subjetivas podem ocasionar na relação entre os valores e a avaliação”, explica o professor.

No Brasil, o faturamento com orgânicos em 2017 foi de aproximadamente R$ 3,7 bilhões, com alta de 25% em relação ao ano anterior. Levantamento do Conselho Nacional da Produção Orgânica e Sustentável (Organis), em 2018, apresentou faturamento da produção orgânica de cerca de R$ 4 bilhões no país.

“O mercado consumidor de produtos orgânicos no Brasil é composto principalmente por pessoas que buscam novos hábitos de consumo, produtos menos industrializados, com características mais saudáveis, com o mínimo ou sem conservantes e aditivos químicos e com rastreabilidade”, expõe Alessandro.

Apesar de o preço dos produtos orgânicos ser apontado como entrave para o aumento das vendas, estudos sobre o mercado consumidor apontam que 40% dos consumidores estão dispostos a pagar mais por produtos feitos com ingredientes orgânicos ou naturais.

As feiras são responsáveis pela comercialização de significativa parte dos produtos, somando 650 pontos de comercialização no país, sendo o varejo convencional o maior responsável pela distribuição dos orgânicos, principalmente nos supermercados, que atingem 64% das vendas em todo o país.

Pesquisa

O pesquisador lembra que já existem algumas pesquisas que trabalham a percepção do consumidor de produtos orgânicos com relação ao atributos-consequências (benefícios) – valores.

“No entanto, essas pesquisas são de cunho qualitativo, que por sua vez tem algumas limitações como a baixa quantidade de entrevistados e abrangência limitada (sendo muitas vezes local ou regional). Quando temos um instrumento de coleta de dados com características de uma Survey, ou seja, um questionário com questões estruturadas, é possível superar as limitações de uma pesquisa qualitativa e assim conseguir identificar a real percepção dos consumidores de produtos orgânicos de forma mais abrangente no Brasil”, completa.

Assim, a principal contribuição do projeto será a construção de um instrumento de medida da percepção do consumidor de produtos orgânicos com foco nos atributos, consequências e valores. Tidos como características intrínsecas e extrínsecas que um produto possui, os atributos podem variar desde o concreto ao abstrato, sendo os primeiros perceptíveis ao consumidor de forma mais tangível, como tipo de produto (cor, forma, textura) ou o preço, segundo Alessandro.

“Os atributos abstratos, como a marca ou estilo de produto (mais seguros, confiáveis), podem ser considerados como características distintivas não figurativas. Os atributos permitem que o indivíduo atinja algumas consequências oriundas de seus desejos, que por sua vez são meios importantes para que as pessoas alcancem um fim ou valor pessoal”, expõe o pesquisador.

Já as consequências ou benefícios podem ser caracterizadas como um resultado fisiológico ou psicológico, que irá impactar de forma direta ou indireta no comportamento do consumidor em um dado espaço de tempo.

Alessandro explica ainda que as consequências podem ser de natureza fisiológica quando satisfazem uma necessidade humana como beber água ou comer, ou podem ser resultantes de um comportamento psicológico, elevando a autoestima, ou sociológico como uma forma de reforço do status, podendo gerar sensações agradáveis ou desagradáveis.

“Os valores podem ser comparados com metas desejáveis, com diferentes níveis, que irão servir para direcionar o ser humano ao longo da vida. São exemplos de valores considerados pelas pessoas: ordem social, segurança familiar, segurança nacional, ser atrevido, uma vida excitante, uma vida variada, autoridade, poder social, riqueza, amizade verdadeira, igualdade, justiça social, entre outros”.

Os valores das pessoas influenciam na sua intensão de comprar produtos orgânicos, segundo o pesquisador. “Porém, uma pessoa que tem uma forte orientação para saúde pode ter uma intensificação ou não dessa relação de influência entre os valores e a intensão de comprar”.

Público

Pesquisadores brasileiros da área de marketing e comportamento do consumidor irão ajudar o pesquisador a fazer uma validação de face do instrumento, apontando quais variáveis podem medir melhor os atributos, consequências e valores.

“Feito isso será realizado um pré-teste, para verificar se o instrumento tem um bom ajuste. E em uma etapa final o questionário será enviado via email para pessoas de um banco de dados pessoal para que elas possam participar dessa pesquisa”, explica Alessandro.

Poderão participar maiores de 18 anos e consumidores de produtos orgânicos. A expectativa é coletar uma amostra de 400 entrevistados, número que seria suficiente para validar as escalas que posteriormente poderão ser aplicadas em todo o país.

“Tal instrumento poderá ser aplicado em todo território nacional possibilitando a obtenção de amostras mais significativas, o que resultará em informações com maior amplitude de inferência. Os pequenos produtores e comerciantes poderão utilizar esse instrumento e com os resultados realizar ajustes em seus procedimentos de produção, distribuição e venda, ocasionando uma melhor aceitação do consumidor final, aumentado suas vendas e melhorando sua competitividade em relação aos grandes supermercados”, diz.

Tudo isso proporcionará impacto diretamente no desenvolvimento econômico regional e no país, segundo o pesquisador, além de contribuir para uma inclusão social dos pequenos produtores a partir do momento que possibilita um aumento de sua renda.

“Quanto à difusão do conhecimento gerado no projeto, terá direcionamento para entidades nacionais que trabalham, de alguma forma, com produtos e produtores de orgânicos, como o Sebrae, Senar, Embrapa, Emater, e outros, por serem entidades com maior alcance junto a pequenos produtores e vendedores de produtos orgânicos no território nacional. Cabe ressaltar que as grandes empresas envolvidas no mercado de produtos orgânicos também poderão se beneficiar desse instrumento”, completa.

Paula Pimenta da Assessoria


Compartilhe:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *