Pantanal: Energisa doa 20 toneladasde alimentos para animais ameaçados

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Considerado um dos biomas brasileiros mais ricos, o Pantanal enfrentou este ano a maior queimada de sua história. De janeiro a outubro, 28% da área foi consumido por incêndios. Milhares de animais morreram, mas muitos conseguiram resistir às chamas e, agora, sofrem com a escassez de alimentos. Diversos grupos têm atuado na região para preservar a vida desses sobreviventes e, desde o dia 21 de novembro, passaram a contar com o apoio do Grupo Energisa, que doou R$ 200 mil para a aquisição de aproximadamente 20 toneladas de alimentos, num primeiro momento, além de combustível para o Instituto Homem Pantaneiro, do Mato Grosso do Sul, e o grupo de voluntários É O Bicho MT, de Mato Grosso.

As organizações estimam que 11 milhões de animais morreram atingidos pelo fogo. Mais do que fornecer energia, o Grupo Energisa tem o compromisso de manter o desenvolvimento sustentável nos dois estados por meio de suas distribuidoras (Energisa Mato Grosso e Energisa Mato Grosso do Sul). “Acreditamos numa economia sustentável e no valor de uma floresta em pé. Para contribuir no combate as queimadas no Pantanal, estamos doando recursos para organizações parceiras que estão à frente das ações de prevenção e combate as queimadas, bem como no apoio aos seus povos e biodiversidade”, afirma Isabel Vasconcellos, gerente de sustentabilidade do Grupo Energisa.

No Mato Grosso do Sul, a ação está concentrada na Serra do Amolar, em Corumbá, que teve cerca de 70% da área queimada, mas que ainda serve de refúgio aos animais que fugiram de outras áreas por concentrar algumas lagoas. “Os animais invertebrados e insetos foram fulminados. Nosso foco tem sido prover alimentos a mamíferos e aves, já que as árvores frutíferas do Pantanal foram perdidas para o fogo”, explica Ângelo Rabelo, presidente do Instituto Homem Pantaneiro. A instituição é responsável pela gestão da Rede de Proteção e Conservação da Serra do Amolar e reúne fazendas, reservas e outras organizações.

A equipe do Instituto Homem Pantaneiro segue as diretrizes definidas pelo Comitê Interinstitucional de Combate a Incêndios Florestais, do qual fazem parte ONGs, institutos, universidades e órgãos públicos. Por duas semanas, os pesquisadores monitoraram a Serra do Amolar para verificar as populações de animais presentes na região e traçar a melhor estratégia para sua alimentação. Sendo assim, escolheram frutas e legumes menos perecíveis, como laranja, abóbora e melancia, que são colocados em árvores e no chão, visando atender a diferentes espécies.

Os voluntários também distribuem rações de equinos, cães e aves e milho seco. A bióloga Letícia Larcher, que integra o IHP, explica a necessidade desse planejamento. “Pela nossa experiência, percebemos que antas, por exemplo, gostam de ração de cavalo misturada a melado, enquanto a ração de pássaros pode servir às aves que costumam se alimentar de cereais, como periquitos e araras”, afirma a cientista. Serão entregues 11,7 toneladas de frutas e legumes na região.

Já no Mato Grosso, as ações são coordenadas pelo Comitê Estadual de Gestão do Fogo, que inclui o governo estadual, Corpo de Bombeiros, IBAMA e outras instituições públicas e privadas. No estado, o grupo É O Bicho MT percorre diariamente os municípios de Mimoso, Barão de Melgaço e Poconé, porta de entrada do Pantanal Mato-grossense e importante reduto do bioma, distribuindo mantimentos como banana, mamão, melão, melancia, laranja, batata doce e ovos, além de ração e milho. A Energisa está contribuindo até o fim de novembro com cerca de nove toneladas de alimentos, com foco em bananas, mamões e melões.

Jenifer Larrea, cofundadora do grupo É O Bicho MT, explica que as equipes estão priorizando alimentos com alto teor de água. Além disso, cochos com água foram instalados em algumas áreas no auge da estiagem, a pior em 60 anos e que, além de contribuir para as queimadas, ainda secou diversos cursos d’água da região. Os alimentos naturais são coletados na capital, Cuiabá, e preparados pelos voluntários, que os levam de caminhonete até as regiões de vegetação acessíveis por terra, mas com difícil acesso. “Antas, quatis, lagartos e pássaros preferem as frutas, enquanto macacos, queixadas e lobetes comem mais os ovos”, conta a ativista, explicando que a ração e o milho são levados a áreas de mais difícil acesso por meio de um helicóptero do Ibama.

Logística semelhante há também no Mato Grosso do Sul, onde veículos com tração nas quatro rodas e quadriciclos chegam até onde as trilhas alcançam, e um helicóptero da Força Aérea Brasileira auxilia no acesso às áreas mais protegidas. Para fazer funcionar todo esse ciclo, porém, é necessário combustível. No Mato Grosso do Sul, os voluntários precisam de aproximadamente mil litros de gasolina por semana. Com a doação da Energisa, será possível manter o suprimento por mais de um mês no estado.

Até novembro, 4,5 milhões de hectares do Pantanal, o equivalente a 30% do bioma, se perderam em meio às chamas, de acordo com o Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (Lasa), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Está tudo cinza. O que fazemos é tentar dar uma oportunidade para que os animais aguentem até a chuva vir e as árvores rebrotarem e voltarem a fornecer frutos”, resume Letícia Larcher, destacando que esse suprimento é fundamental para manter vivas espécies que são presas dos grandes carnívoros, como a onça pintada e a jaguatirica, e manter em harmonia a cadeia alimentar do bioma.

 

 


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