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4 de fevereiro de 2023 - 23:49

O PORTUNHOL SALVAJE PARA NÃO INICIADOS

Douglas Diegues*

1) Em que consiste o portunhol selvagem?

Douglas Diegues: Primeiramente devemos fazer una distinción básica: una cosa es el portunhol, y otra cosa es el portunhol salvaje.

Repetindo-me: El portunhol tiene forma definida. El portunhol selvagem non tiene forma. El portunhol es um mix bilíngue. El portunhol selvagem es um mix plurilíngue. El portunhol cabe em qualquer moldura. El portunhol selvagem non cabe em moldura alguma.(El portunhol es bisexual. El portunhol selvagem es polisexual. El portunhol es meio papai-mamãe. El portunhol selvagem es mais ou menos kama-sutra. El portunhol selvagem es transnacional. El portunhol es determinado. El portunhol selvagem es indeterminado. El portunhol tem color. El portunhol selvagem non tem color. El portunhol es um esperanto-luso-hispano-sudaka. El portunhol selvagem es um conceito propio de lengua poétika de vanguarda primitiva que he inventado para fazer mia literatura, um deslimite verbocreador indomábelle, uma antropófagica liberdade de linguagem aberta ao mundo y puede incorporar el portunhol, el guarani, el guarañol, las 16 lenguas (ou mais) de las 16 culturas ancestraes vivas em território paraguayensis y palabras del árabe, chinês, latim, alemán, spanglish, francês, koreano etc. El portunhol pode ser dulze. El portunhol selvagem talvez seja mais trilce. Resumindo sem concluziones precipitadas: el portunhol selvagem es free…

2) Quais são as características do portunhol?

DD: El portunhol es mais ou menos la lengua de los turistas argentinos que vienen a Brasil y tratam de hablar la lengua portuguesa pero solo conseguem falar portunhol.
El portunhol selvagem és diferente: tiene mas que ver com liberdade de lenguaje, literatura de inbención, poesia post utopika, estética díscola, descolonizacione literária, etc.
Non existe um portunhol único. Existem muitos portunholes. Y nenhum es mejor do que el outro.
El portunhol selvagem es guarango punk: um mix de português, castellano, guarani, spanglish, etc.
Cabem todas las lenguas del mundo nel corazoncito de pneu de camión del portunhol selvagem.

3) Quando foi seu primeiro contato com o portunhol selvagem?

DD: Mio primeiro contato foi com el portunhol selvagem de la Xe Sy, mi madre em guarani, durante la primera infância em Ponta Porã, en la fronteira del Brasil com Paraguay, onde fui criado.
Mio segundo encuentro fue la descubirta del portunhol selvagem de Wilson Bueno y su papyro mais rarófilo, la nouvelle Mar Paraguayo.
Mi tercer encuentro fue com meu propio portunhol selvagem, que estaba em mio cuerpo, em mis bolas, em mi korazonzito, y que es que uso para decir cosas viejas de maneira nueba – ou por lo menos diferente.

4) Como se deu a sua experiência com o idioma?

DD: Mia experiência foi tratar de escrever em portunhol salvaje sem imitar Wilson Bueno.
Y lo consegui!
Dez anos depois de Mar Paraguayo publiquei “Dá gusto andar desnudo por estas selvas – sonetos salvajes”, el primeiro livro de poesia escrito em portunhol y em portunhol selvagem nel gluebo terrestre.

5) Qual é a importância de escrever poesia em um idioma híbrido, de fronteira?

DD: Mais que importante, es algo gozoso escrever numa língua que non existe como idioma, mas existe como habla y como escritura.
Es como inventar uma língua dentro das línguas em que me digo.
Es também um gesto político: non escribir como um bom aluno obediente a la língua oficial do Estado.
Es como escrever en la tierra de ninguém, de lo indeterminado, de lo imprevisível.
De modo que penso que escrever num idioma híbrido tem mais delícias que importâncias.

6) Um grupo de acadêmicos uruguaios quer que o portuñol seja declarado patrimônio imaterial da humanidade pela Unesco.
A partir da sua experiência, como se comunicam as pessoas na fronteira?

DD:,Acho legal que o portunhol selvagem seja declarado patrimônio imaterial da humanidade porque el portunhol non tem dueño, non tem pátria, nem patron y nem patrona.
Creio que isso ajudará a dar mais visibilidade ainda a los textos escritos em portunhol selvagem.
Temos um pequeno corpus de textos escritos em portunhol selvagem, e com um buen time de autores, como Wilson Bueno, Xico Sá, Joca Reiners Terrón, Ronaldo Bressane, para citar apenas el lado brasileiro de la fronteira.
Recentemente, a Eduerj (Editora da universidade do Rio de Janeiro) encomendou a Myriam Ávila (UFMG) um livro sobre Douglas Diegues, publicado na coleção Ciranda da Poesia em 2012.

7) Como esse idioma se diferencia do português e dol espanhol?

DD: A literatura em portunhol selvagem por exemplo non tiene tutela do Estado, é excluído de todos los prêmios literários, não é ensinada em escolas, é combatida pelos puristas, circula via internet e por editoras cartoneras, algumas vezes é editada por grandes editoras, como Mar Paraguayo, publicado pela Iluminuras, uma editora importante do eixo Rio-SP.
8) Quais são as palavras mais particulares que você já ouviu em portunhol?

DD: Hago traduciones também de textos que me gustan al portunhol selvagem.
He llamado a esas traduciones de transdeliraciones, transinvenciones, teletransportaciones.
Em meu nuebo libro, “TODO LO QUE VOCÊ NON SABE ES MUCHO MÁS QUE TUDO LO QUE VOCÊ SABE”, publico transinvenciones de textos de Fernando Pessoa y Charles Baudelaire, entre outros, para que esses poemas que gosto sejam meus também.

9) Qual a sua palavra (ou palavras) preferida(s) do portunhol salvaje?

DD: Indestrutíbelle. Indestrutível (do português) + belle (do francês).

(*) Douglas Diegues é um poeta considerado de vanguarda e coautor de estudo que é considerado um dos mais sérios sobre as poéticas de povos indígenas do Brasil.

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