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Genival Mota: Leitura e autoconhecimento

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    Genival Mota Doutorando em Letras na UNESP-SJRP. Formado em historia e jornalismo pela UFMS.

Cada tipo de texto permite sensações diferentes porque o ato de ler é uma atividade de percepção, identificação dos signos e das mensagens. O legal da leitura está justamente nas emoções que ela provoca. A ficção através de um romance pode despertar em nós simpatia, raiva, admiração, dó, riso ou até identificação com personagem.

Quanto mais talentoso o autor, mais capacidade ele tem de conduzir emotivamente os leitores. Isto é fácil de perceber tanto nos textos ficcionais, quanto em outros tipos de livros. E se o escritor não apenas tem talento, mas também é um gênio, as possibilidades de viagens emocionais são inúmeras.

O romance, a biografia, o conto, a crônica, a peça teatral, a poesia, o ensaio, a fábula, nos mostram tantas facetas da vida que começamos a querer viver mil e uma vidas. Livro tem que ver com liberdade. Só o conhecimento pode apontar a estrada para sermos livres. A vida fica mais leve com o livro. Voamos nas asas da imaginação. Soltamos nossas amarras e começamos a sentir entusiasmo pela vida.

Cada livro tem sua personalidade e encerra um mundo em si mesmo. Tem livro que tem a “personalidade” tão forte que ao invés de segurá-lo, parece que é ele que nos tem pelas mãos. Só encontramos esse carisma nos bons livros, e em geral naqueles que desafiaram séculos e continuam atuais como no dia em que saíram da prensa. Esses são os chamados clássicos.

Cada exemplar tem sua história pessoal. Passa por tantas mãos. É observado por tantos olhos. É de todos e parece que não pertence a ninguém. Sabemos que eles, os livros, terão uma vida mais longa que a nossa. Esta autonomia e permanência das letras  incomoda, e nos incita a querer tomar posse do livro. Não basta vê-lo, lê-lo, é preciso tê-lo.

Tendo lido um romance, escolha para a próxima leitura um volume de poesia, ou contos, crônicas, biografia, teatro, etc. Você vai perceber que esta mudança também exige uma adequação de ritmo interpretativo e meditativo. Passamos a ver a leitura como um jogo, onde temos várias peças a serem mexidas e jogadas. E o “tabuleiro” literário é grande, imensurável.

Esta prática de ler livros de diversos gêneros literários possibilita arejar a leitura e exercitar a mente com diferentes obras e escritores. Este cruzamento de inteligências produz uma agilidade de pensamento, desenvolve no leitor uma acuidade mental que não teria se fosse buscar em outras fontes.

“Leia não para contradizer nem para acreditar, mas para ponderar e considerar. Alguns livros são para serem degustados, outros para serem engolidos, e alguns para serem mastigados e digeridos. A leitura torna o homem completo”, escreve Francis Bacon. Essa visão frente aos livros nos permite ler sem preconceito; desenvolvemos uma visão mais aberta para a vida, sem querer controlar as pessoas as situações.

            E quanto mais lemos e alternamos os gêneros dos volumes percorridos, vamos perceber que na realidade todo leitor, quando lê, é leitor de si mesmo. “A obra do escritor não passa de uma espécie de instrumento óptico que ele oferece ao leitor a fim de permitir que este distinga aquilo que, sem o livro, talvez não pudesse ver em si mesmo”, diz Marcel Proust. Então podemos concluir que a leitura promove o autoconhecimento. Quer melhor patrimônio pessoal do que este?

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