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Deixe as marcas de suas “pegadas” na Leitura

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por Genival Mota

Um lápis, caneta ou qualquer instrumento para marcar o texto, é a forma de demonstrarmos que estamos sentindo o sabor do texto. Se o livro é emprestado e você não pode sublinhar ou escrever à margem ou nas últimas páginas, tenha um caderno de anotações à mão e escreva as frases que estão saltando aos olhos. Ler sem marcar é como comer sem prestar atenção ao que se está mastigando. É como ver sem enxergar.
Assim como absorvemos melhor o alimento, quando o trituramos, também o conteúdo do livro ficará melhor marcado em nossa memória, quando o consumimos com maior consciência do seu “paladar”. Alimentar o cérebro também exige atenção e compromisso com a qualidade.
O ato de ler assinalando as frases ou idéias no texto é semelhante ao caminhar na  praia. Deixamos as marcas dos pés na areia. Se você tem o costume de marcar o livro que lê, quando você o empresta e a pessoa abre o exemplar, vê que você passou por ali. Quem lê sem sublinhar, é semelhante a quem voa num avião ou asa delta, faz o percurso rápido, mas não deixa rastro. Isto é bom para quem está com muita pressa ou é fugitivo.
Mas o verdadeiro leitor, aquele que está em busca de conhecimento, não pode ser apressado e muito menos estar fugindo. Há que ter paciência e gosto na hora da leitura. Afinal, é um dos momentos mais prazerosos da vida. Lemos não para suportar o tempo, mas sim para melhor desfrutar da vida.
Um livro encerra inúmeros sentidos. Por isso que a leitura exige análise e reflexão. O texto nos fala nas linhas e nas entre linhas. É isto que torna a leitura agradável, porque me diz que preciso estar alerta para não perder as descobertas que estão diante dos meus olhos. Ler com um lápis ou caneta à mão é semelhante ao garimpeiro que está procurando ouro; cada pepita encontrada é colocada em destaque, separada.
O desafio proposto para cada um de nós é ler bem. Ler de qualquer jeito muita gente lê. Mas esse encontro silencioso do leitor com o livro está ficando cada vez mais raro. No momento da criação o autor exercita a solidão para depois o leitor ficar só com o livro. Não podemos nos esquecer da alegria   que nos dão os textos que conseguiram passar a morar dentro de nós. Só por este valor agregado, já vale a pena investir tempo e atenção para a leitura com responsabilidade. Que é ler com habilidade para responder ao livro.
No ato da leitura tomamos posição. Mesmo que não estejamos de acordo com o bom escritor, mas sentimos seu encanto. “O encanto é uma das qualidades essenciais que o escritor deve ter. Sem encanto, tudo o mais é inútil”, escreveu Stevenson. No ato da leitura tomamos consciência de que o texto transcende o tempo. Tanto o leitor quanto o escritor têm consciência da vida longa do livro, em contraposição a brevidade da sua.
É no ato da leitura e da escrita que procuramos prolongar a nossa existência. Escrevemos e lemos porque queremos viver muito mais do que está determinado pela nossa condição de pobres mortais.

 

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