Como preservar a saúde mental em meio à pandemia

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Texto: Júlia Torrecilha

foto: arquivo pessoal

Os problemas psicológicos provocados pela Covid 19 fazem parte do quadro clínico provocado pela doença. Os sintomas  respiratórios são a face mais conhecida do vírus, mas também podem ocorrer em pacientes infectados  estresse pós-traumático, depressão e ansiedade.

É o que aponta um estudo realizado por pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e da Universidade Federal Fluminense (UFF). O trabalho sinaliza alterações na saúde mental de pessoas que contraíram o novo coronavírus, com alterações na memória, no sono, maiores níveis de estresse (inclusive pelo distanciamento social), entre outros fatores.

“Alguns problemas se afloraram com a pandemia, ocasionados pelas restrições, medo, estresse constante de não saber quando esta situação vai acabar, a sensação iminente de que algo sempre ruim vai acontecer, um verdadeiro desgaste”, pontua a psicóloga Camila Cancio, que está se deparando com essas questões no seu dia a dia profissional.

Ao fazer uma avaliação deste um ano de convivência forçada com a doença, Camila ressalta: “existem pessoas que negam a pandemia, como uma forma de defesa, outras se reconectaram consigo mesmas e descobriram outras atividades de subsistência, e tem ainda os que intensificaram a ansiedade, o medo e a sensação de exclusão”.

A psicóloga faz um alerta. “Me preocupa mais os que não demonstram nenhuma empatia com este momento  que enfrentamos, é uma atitude egoísta, que não pensa no coletivo”.

Um dos profissionais de saúde que está na linha de frente da covid, Adriano Soares de Melo trabalha no Hospital Universitário (HU) há nove anos. Ele foi infectado no ano passado , acostumado a prestar assistência aos doentes, desta vez o técnico de enfermagem é que precisou ser monitorado.

“Tive medo de morrer igual à todo mundo, fiz isolamento social e seguí os protocolos sanitários, mas atualmente ainda me sinto ansioso, prefiro ir ao hospital e trabalhar do que ficar em casa, porque sei que estou ajudando outras pessoas”, revela. Adriano conta a maneira que encontrou para driblar a ansiedade nas horas livres. “Leio livros, busco uma alimentação mais saudável, e treino a paciência, principalmente no trânsito, para evitar brigas”, acentua.


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