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FM 104,7 [ AO VIVO ]

14 de junho de 2024 - 04:37

Bom Dia Campo Grande discute impactos dos diferentes tipos de violência contra a mulher

Psicóloga Márcia Paulino, da Casa da Mulher Brasileira, comenta na Educativa 104.7 FM os efeitos que agressões podem ter em outros integrantes da família
Márcia Paulino (à direita) falou ao Bom Dia Campo Grande sobre os impactos, diretos e indiretos, da violência contra a mulher na família. (Foto: Pedro Amaral/Fertel)
Márcia Paulino (à direita) falou ao Bom Dia Campo Grande sobre os impactos, diretos e indiretos, da violência contra a mulher na família. (Foto: Pedro Amaral/Fertel)

Três recentes casos policiais chamaram a atenção da sociedade, ao mostrarem pais dando fim à vida dos filhos como meio de “punir” as mães. Entre eles, um foi registrado em Campo Grande, quando o rapaz de 21 anos, preso, afogou um bebê admitindo que pretendia atingir a ex-companheira, com quem manteve um relacionamento marcado por discussões, mas nunca agressões físicas. Uma cena onde inocentes perdem a vida em um cenário de violência psicológica e emocional, como analisou durante o Bom Dia Campo Grande desta quinta-feira (26) a psicóloga Márcia Paulino, da Casa da Mulher Brasileira.

Primeira do país, a Casa da Mulher Brasileira foi idealizada como refúgio e local para mulheres vítimas de diferentes tipos de violência buscarem socorro, e onde diferentes aspectos das agressões ganham corpo. Segundo Márcia, a situação registrada na Capital, embora extrema, têm similares encaminhados ao local quase que diariamente, no qual o namorado, marido ou algum familiar busca diferentes meios de atingir as mulheres.

“É uma modalidade de violência psicológica extremamente grave que entendemos como perda de controle. Normalmente, a violência psicológica se dá durante um longo período nas relações e, muitas vezes, a mulher duvida do comportamento que o homem seja capaz de demonstrar. Mesmo sob ameaça, não acreditam que seriam capazes, inclusive de matar, por conhecerem a pessoa e achar que são aquilo que conheceram“, disse a psicóloga à Educativa 104.7 FM.

Márcia considerou que essa impressão nasce de uma expectativa criada, seja um amor romântico ou do sentimento de posse, no qual a mulher acaba convertida em um objeto de satisfação e de felicidade do homem. “No momento em que ele perde o controle sobre este objeto, usa diversos subterfúgios e até de violência, como na manipulação de uma criança, para atingir a mãe”.

“Temos analisado estes casos como um extremo de violência psicológica e, claro, de violência contra a criança, o próprio filho. É uma falta de controle sobre o sentimento de perda muito grande”, prosseguiu ela, considerando que houve outras formas de se tentar, sem sucesso, atingir a mulher antes de se atingir o ato extremo.

Negligência

A psicóloga ressaltou que as situações que conduzem a tais atitudes são comuns, mas “a violência psicológica é muito negligenciada” e, por isso, acabam ignoradas. “A sociedade como um todo age como se isso não fosse violência. Chegam à Casa da Mulher denúncias sobre homens que humilhavam, mas nunca tinham batido”, afirmou Márcia, apontando onde está a origem do problema.

“O ciclo da violência já estudado e constatado mostra que a maioria dos casos de violência não começa com a física, e sim, justamente, com ameaças, humilhações, xingamentos, com a desqualificação da pessoa. E, às vezes, isso não é considerado violência. A sociedade, de uma forma geral, demorou a entender a violência psicológica como violência, como está explicitado na Lei Maria da Penha”, afirmou, pedindo que as mulheres não esperem as agressões físicas acontecerem para denunciar a violência.

A recomendação é de que, nos primeiros sinais de que a relação com a pessoa esteja contribuindo para diminuir sua autoestima, causando depressão, ou outras consequências físicas e psicológicas, busque-se ajuda. “Mesmo que não saiba tipificar a violência, mas que procure. Na Casa da Mulher Brasileira há equipes de psicólogos e assistentes sociais que podem orientar”. A conscientização, aqui, vale também para os homens compreenderem que não é apenas o ataque físico que deixa marcas –“já que o ataque psicológico faz sofrer tanto, ou até mais, que a violência física”.

Números

Dados do Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação), do Ministério da Saúde, registrados de janeiro a agosto deste ano mostram que, em Mato Grosso do Sul, houve o registro de 1.381 casos de violência física contra a mulher denunciados. Incluindo ataques e sexuais, há mais 245 vítimas, além de 414 submetidas a violência moral e psicológica e 22 casos de agressão financeira, ou seja, 2 mil casos.

Psicóloga pede que nenhum sinal de agressão, seja físico ou psicológico, seja ignorado pelas vítimas de violência contra a mulher. (Foto: Pedro Amaral/Fertel)
Psicóloga pede que nenhum sinal de agressão, seja físico ou psicológico, seja ignorado pelas vítimas de violência contra a mulher. (Foto: Pedro Amaral/Fertel)

O número de vítimas, porém, é maior, pois a família acaba afetada pela violência como um todo, em especial os filhos. Elas, aliás, são alvos da rede de atendimento por meio de ações educacionais, que levam às escolas, durante reuniões de pais, informações sobre as consequências da violência para o desenvolvimento de crianças e adolescentes.

“Muitas crianças aprendem a naturalizar a violência, vendo-a como forma de resolução de conflitos. Na verdade, o que precisa se ensinar e mostrar é que qualquer conflito não deve ser resolvido com violência. Nesse contexto, famílias percebem que há compreensão do que é natural e precisamos desnaturalizar a violência doméstica e familiar para as crianças e adolescentes”, pontuou Márcia.

“Bom pai”

A psicóloga afirma que, durante os trabalhos, tenta-se desmistificar a figura do “bom pai” que, embora seja autor de violência, porta-se como um provedor familiar ou mesmo que não se volta contra os filhos. “Será que a mãe não percebe que a violência que sofre está afetando também o desenvolvimento físico, emocional e social das crianças?”, disse Márcia.

A integrante da Casa da Mulher revelou haver inúmeros casos de crianças que relatam casos de violência cometida contra a família, o que acaba por atingir também seu desempenho escolar ou a reproduzir o comportamento aprendido com a agressão junto aos colegas.

“As pessoas acham que a violência doméstica, contra a mulher, tem como foco a política para a mulher, que atinge e vitimiza só mulher. Não. Se pensar de forma mais ampla, o próprio agressor sofre consequências, com sanções sociais, e também em seu aspecto psicológico, mas desconsidera muitas vezes que o impacto é muito grande na criança em fase de desenvolvimento”.

Neste caso, há dois cenários: o do garoto que assiste às agressões e leva isso para sua vida adulta, considerando “normal” o homem bater na mulher, e o das meninas, “que viram a mãe sofrendo e, quando casam, acreditam que este é o formado normal de relacionamento”. “Existem, sim, outras formas de conviver e compartilhar a vida sem violência”, disse a psicóloga.

Segundo Márcia, ainda há na sociedade conceitos que inibem a mulher de romper com o ciclo de agressões. (Foto: Pedro Amaral/Fertel)
Segundo Márcia, ainda há na sociedade conceitos que inibem a mulher de romper com o ciclo de agressões. (Foto: Pedro Amaral/Fertel)

Márcia ainda contestou no Bom Dia Campo Grande o sentimento de algumas mães que, para não privarem os filhos do convívio com os pais, decidem suportar as agressões. “Ainda temos a ideia de manutenção da família tradicional a qualquer custo, a idealização do casamento na construção social, do amor romântico no qual só se ama uma vez, só se casa uma vez, ‘o que Deus uniu, homem não separa’. A estrutura sociocultural cria dificuldade de a mulher romper o ciclo da violência, fazendo-a conviver anos e décadas acreditando que ele vai mudar. Ele pede perdão, muda comportamentos, para de beber, vai à igreja… e o ciclo vai se perpetuando”.

Segundo a psicóloga, durante rodas de conversas em escolas, houve casos nos quais os filhos levaram a informação até sua casa, fazendo as mães identificarem as situações de agressão e finalmente buscarem ajuda. “Há estudos que mostram que as mulheres levam em média 14 anos para romper o ciclo de violência. E até pouco tempo elas não tinham a Lei Maria da Penha, consideravam a violência apenas física. Hoje, conseguimos sensibilizar as mulheres para que a violência psicológica pode evoluir para a física e ao feminicídio”, afirmou.

Márcia destacou que o trabalho da Casa da Mulher também é fazer com que nenhuma forma de violência seja negligenciado, desde xingamentos ou desqualificações até ameaças mais contundentes. “E é preciso mudar a perspectiva de que a violência doméstica é um problema exclusivamente familiar. É problema da família, da sociedade, da escola, das políticas públicas, dos meios de comunicação para trazerem isso à população para que reflita”.

Por fim, a psicóloga pontuou que a violência doméstica é “democrática”, ocorrendo em lares independentemente da raça, escolaridade ou da posição socioeconômica dos envolvidos.

“O que ocorre é que a mulher de condição econômica mais baixa procura o serviço público e entra na estatística do SUS e da Casa da Mulher. A mulher em condição socioeconômica melhor tem outros recursos, como advogado particular e psicólogo no plano de saúde. Talvez não entre nas estatísticas, mas sabemos pelo noticiário em casos de pessoas públicas que sofreram esse tipo de violência”, complementou Márcia, destacando que a Casa da Mulher Brasileira, localizada em Campo Grande na rua Brasília, no Jardim Imá –próximo ao Aeroporto Internacional– funciona 24 horas por dia para receber denúncias e prestar serviços.

Sintonize – Com produção de Rose Rodrigues e Alisson Ishy e apresentação de Maristela Cantadori e Anderson Barão, o Bom Dia Campo Grande permite a você começar o seu dia sempre bem informado, por meio de um noticiário completo, blocos temáticos e entrevistas sobre assuntos variados. O programa vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 7h às 8h30, na Educativa 104.7 FM e pelo Portal da Educativa.  Os ouvintes podem participar enviando perguntas, sugestões e comentários pelo WhatsApp (67) 99333-1047 ou pelo e-mail reporter104fm@gmail.com.

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