“Um asteroide chamado Pilar”: confira entrevista da Matula Cultural

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A campo-grandense Pilar, de 23 anos
A campo-grandense Pilar, de 23 anos

A novidade da música de Mato Grosso do Sul em 2019 atende por um nome: Pilar. A campo-grandense de 23 anos prepara o primeiro disco da carreira e dia 29 de junho é atração do “Brazilian Day”, em Estocolmo, na Suécia. Prodígio, desde os 5 anos já mostrava aptidão para o piano e o canto clássico. Aos 8 anos já compunha. Agora finaliza “Gentilmente”, álbum que vai trazer suas próprias canções e releituras para clássicos da música brasileira.

Ela conta com a participação de Zeca Baleiro e a direção musical é de Adriano Magoo, tecladista conhecido na cena campo-grandense e atualmente tocando com o maranhense. Pilar também é sobrinha de Fernando Bola, baterista pioneiro de MS, fundador do grupo Olho de Gato. Confira o bate-papo:

Matula Cultural – Como surgiu a oportunidade de tocar no festival “Brazilian Day”, em Estocolmo? Vai fazer mais alguma apresentação na Europa?
Pilar – Aconteceu por uma dessas coincidências boas da vida. Mês passado, em uma programação paralela a Virada Cultural de São Paulo, apresentei em público pela primeira vez algumas das composições do álbum “Gentilmente”. Por sorte, neste dia, um dos curadores do “Brazilian Day”, de Estocolmo, estava presente no evento. Ele gostou muito das músicas e me estendeu o convite de participar. Foi muito em cima da hora e estamos na correria pra organizar tudo a tempo do festival, que ocorre agora dia 29 de junho. Mas ao mesmo tempo está sendo uma alegria enorme, pois realmente não esperava as coisas acontecerem tão rápido assim.

Matula Cultural – Como você chegou ao conceito do álbum “Gentilmente”?
Pilar – Veio surgindo de maneira orgânica. Quando comecei a compor as primeiras canções não tinha um caminho pré-definido em mente. Mas conforme elas foram criando “vida”, comecei a ver uma semelhança entre elas, que é o tipo de abordagem a diversos tópicos. Acho que o título, “Gentilmente”, de certa forma sintetiza bem esse conceito. As canções são em sua maioria autobiográficas, mesmo que de maneira abstrata. As que não são, falam de temas que chamam minha atenção e, de certa forma, fazem parte do meu dia a dia também. “Favela City” aborda desigualdades de gênero, social e econômica. Já “Tchau Querido”, apesar de falar de um relacionamento antigo, bate muito na tecla da questão do desapego. “Gentilmente” também acaba abordando esse tópico do desapego, mas fala também do feminismo de amor próprio, pois conta a história de uma mulher que está em um relacionamento e, apesar de amar o parceiro, ela rejeita seu pedido de casamento, pois ela preza por sua liberdade e ama a própria companhia. Mas o que todas as canções trazem em comum é isso, essa abordagem sensível a temas da sociedade atual e da mulher moderna.

Matula Cultural – Um dos elementos que chama a atenção é o fato de você cantar e compor em diversas línguas. Como surgiu esta mistura em suas composições?
Pilar – Bom, isso de usar línguas diferentes nas minhas composições, vem também um pouco por influência da minha criação. Minha mãe era professora de inglês, então sempre tive o contato com a língua desde pequena. Já o espanhol vem da minha descendência. Meus bisavós eram espanhóis. Por isso sempre me interessei pela língua e pela cultura e busquei entrar em contato com esse lado. Mas a questão é que sempre fui apaixonada por idiomas, porquê cada língua tem uma fonética muito particular. Então pra mim foi algo muito intuitivo transitar entre diversas línguas nas minhas músicas, primeiro porquê eu queria que a mensagem fosse acessível e familiar a quem estivesse escutando, independente da nacionalidade, e segundo, para poder explorar essas diferentes sonoridades e fonéticas em todas as músicas, porquê em cada idioma a voz mostra um espectro diferente e isso é muito bonito.

Matula Cultural – Você transita em suas composições por vários estilos e ritmos. Quais são as suas influencias e onde você geralmente busca inspiração para compor?
Pilar – Deve ser porquê sou geminiana e gosto de tudo um pouco… Brincadeiras a parte, sempre fui muito eclética quando se trata de música e acho que cada gênero tem sua própria particularidade. Eu tive uma educação musical com base erudita, mas ao mesmo tempo meus pais escutavam em casa desde polca paraguaia à Cat Stevens, Elis Regina e Buena Vista Social Club. Nos últimos tempos venho vivendo um caso de amor com o jazz, principalmente pelas ferramentas e gama de possibilidades que ele traz nos improvisos. Isso vem facilitando expressar vocalmente as melodias que vem na minha cabeça, como se minha voz fosse um instrumento mesmo. Por isso venho tentando fazer essa fusão do jazz com ritmos mais percussivos e mais dançantes de outros gêneros, desde a MPB, o reggae e a música cubana.  Fica até difícil falar de influências e inspirações pois, como já disse, elas vêm de diversos lugares.

Matula Cultural – Qual a sua relação com a terra natal? Você aprecia algum artista ou trabalho de Mato Grosso do Sul?
Pilar – Sempre brinco com meus amigos que deve ter alguma coisa na água desse aquífero guarani porque não é possível. A cena artística do Mato Grosso do Sul é muito rica e isso me moldou desde pequena. Se não fosse por isso, não seria a musicista e artista que sou hoje. Estou ansiosa para terminar de gravar o álbum e poder voltar e apresentar minhas músicas num lugar de acolhimento e familiaridade. E se eu aprecio algum artista aí? Putz, aprecio vários. Não é puxar sardinha, mas uma das pessoas que mais admiro, e que também é a pessoa que mais vem me apoiado nessa caminhada musical é meu tio Bola (Fernando Bola, baterista e fundador do Olho de Gato). Ele foi, se não é, um dos maiores bateristas do Estado. E como não falar de Ney Matogrosso, Almir Sater e Paulo Simões né?

Por Rodrigo Teixeira, do blog Matula Cultural


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