Representante da SED explica ao Bom Dia Campo Grande modelo de ensino cívico-militar

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Tatiana Marangoni, da Superintendência de Políticas Educacionais da Secretaria de Estado de Educação, detalhou na Educativa 104.7 FM como será o trabalho de PMs e bombeiros nas escolas que adeririam ao projeto a partir de 2020
Tatiana Marangoni (à direita) explicou como funcionará o ensino cívico-militar a ser adotado em 2 escolas estaduais de Campo Grande. (Foto: Pedro Amaral/Fertel)
Tatiana Marangoni (à direita) explicou como funcionará o ensino cívico-militar a ser adotado em 2 escolas estaduais de Campo Grande. (Foto: Pedro Amaral/Fertel)

A partir de 2020, Campo Grande contará com duas escolas estaduais dentro do projeto de instituições de ensino cívico-militar, que garantem a presença de integrantes de forças de segurança pública nas instituições de ensino. O projeto, que começará em Mato Grosso do Sul pelas Escolas Estaduais Professor Alberto Elpídio Ferreira Dias (Professor Tito), em construção no Jardim Anache, e Marçal de Souza, no Jardim Los Angeles, até hoje gera dúvidas sobre como funcionará.

Para responder a esses questionamentos, o Bom Dia Campo Grande desta quarta-feira (9) recebeu Tatiana Marangoni, da Superintendência de Políticas Educacionais da SED (Secretaria de Estado de Educação). À Educativa 104.7 FM, ela explicou como se dará o papel dos militares nas instituições e já deixou claro que o projeto não tem relação com os colégios militares –que são totalmente administrados pelas Forças Armadas.

“Na Professor Tito, que está em construção no Jardim Anache, a parceria já foi definida com o Corpo de Bombeiros. No Marçal de Souza, a parceria será com a Polícia Militar”, afirmou Tatiana. Ela lembrou que a adoção dos projetos foi aprovada pela comunidade, com 93% das famílias consultadas no Anache se dizendo favoráveis à adoção do projeto. No Los Angeles, o percentual chegou a 78%.

Tatiana também reiterou que o projeto de escola cívico-militar é diferente dos colégios militares, como muitas pessoas têm confundido. “A função será diferente da escola militar, o modelo que conhecemos. Trata-se de uma gestão compartilhada. As escolas cívico-militares de Campo Grande terão gestão da Secretaria de Estado de Educação, com equipe pedagógica, e presença de um militar que trabalhará na monitoria do ambiente escolar, diretamente com os alunos”, destacou.

Critérios

A adoção do sistema ocorre por iniciativa do governo federal, que destinou R$ 54 milhões para o projeto a partir do ano que vem –ou até R$ 1 milhão por unidade de ensino, dependendo do número de estudantes. Para aderir ao projeto de escolas cívico-militares, as instituições devem ter entre 500 e 1.000 alunos, com turmas do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental (o Fundamental II) e do Ensino Médio.

“Esse dinheiro será usado na questão da infraestrutura, capacitação de professores e profissionais que trabalham nas escolas, aquisição de uniformes e o que precisar de material pedagógico”, destacou a representante da SED. Quanto aos uniformes, ainda não foram dados detalhes de como serão –porém, sabe-se que será um padrão para o país.

Experiência

Embora anunciado com destaque pelo Ministério da Educação, o projeto de ensino cívico-militar já foi experimentado em Mato Grosso do Sul: a Escola Estadual Lino Villachá, na região do Nova Lima (norte de Campo Grande) tem parceria com o Corpo de Bombeiros há dois anos.

“Nossa maior alegria foi ver a mudança na comunidade. No dia da consulta pública houve muita participação de famílias, e um ponto importante é a família participar da escola”, pontuou Tatiana. O projeto, destacou, ajudou no enfrentamento à violência e redução da evasão escolar.

Na Lino Villachá, os bombeiros atuam com a monitoria, em contato direto com os alunos, apoiando a organização do ambiente escolar e junto à comunidade, “que se sente mais segurança com a presença deles”.

Ensino

Tatiana explicou, ainda, que a grade de ensino das escolas não terá alterações, sendo trabalhada pela SED com base na base nacional curricular já em vigor. Ela descartou, assim, a tendência de “militarização” do ensino ou adoção de algum viés ideológico.

“A gestão pedagógica será feita pela SED, então, o currículo a ser trabalhado será o mesmo das outras escolas da rede estadual”, afirmou. A presença dos militares estará focada no cuidado com o ambiente escolar, da monitoria e cuidado com os estudantes e enfrentamento ao abandono, evasão e repetência. “Acho que muda muito com a presença das instituições que podem fazer essa parceria’.

A intenção é analisar os resultados do projeto ao longo de 2020 para, a partir daí, avaliar a possibilidade de o ensino cívico-militar chegar a outras escolas da rede estadual.

Representante da SED explicou que projeto é diferente dos colégios militares, com a secretaria mantendo o controle sobre a grade curricular. (Foto: Pedro Amaral/Fertel)
Representante da SED explicou que projeto é diferente dos colégios militares, com a secretaria mantendo o controle sobre a grade curricular. (Foto: Pedro Amaral/Fertel)

A superintendente pontuou, porém, que já existem outros parâmetros de comparação sobre o ensino cívico-militar no Distrito Federal e em Goiás, “que têm dado bom resultado”. As regiões escolhidas, prosseguiu ela, têm indicadores de vulnerabilidade social que justificam a iniciativa. Desta forma, as vagas estão voltadas aos alunos dos bairros vizinhos, sendo conduzidas normalmente pela Central de Matrículas a partir da abertura do processo, no fim deste ano.

Sintonize – Com produção de Daniela Benante, Eliane Costa e Alisson Ishy, reportagens de Daniela Nahas, Zilda Vieira, Katiuscia Fernandes, Bernardo Quartin e Gildo Pereira, apresentação de Maristela Cantadori e Anderson Barão, coordenação e edição de Rose Rodrigues e apoio técnico de Roberto Torminn e do DJ juju, o Bom Dia Campo Grande permite a você começar o seu dia sempre bem informado, por meio de um noticiário completo, blocos temáticos e entrevistas sobre assuntos variados.

O programa vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 7h às 8h30, na Educativa 104.7 FM e pelo Portal da Educativa.  Os ouvintes podem participar enviando perguntas, sugestões e comentários pelo WhatsApp (67) 99333-1047 ou pelo e-mail reporter104fm@gmail.com.


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