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Pagar salário digno também é amar ao próximo

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A notícia desta semana, da Revista Forbes, dos 8 homens que, juntos, detêm uma fortuna equivalente à soma dos bens de 3,6 bilhões de pessoas do mundo, foi decisiva para expor aqui esta reflexão que faço, já há algum tempo, ao estudar as Escrituras Sagradas sobre o segundo maior mandamento de Deus, que é: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (o primeiro é: “Amarás o Senhor  teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento”).

Depois de ler, reler e ponderar, passei a ver com mais clareza a profundidade dessa Lei que nos dá segurança, alegria e tranquilidade para trilharmos O Caminho.

Ela se estende também ao mercado de trabalho e, consequentemente, está intimamente ligada à relação patrão/empregado.

Ao trabalhador, como todos bem sabem, cabe respeitar, dedicar e honrar suas atividades profissionais, sendo honesto em seu labor, mesmo na ausência do empregador.

A responsabilidade patronal é que não é bem clara, pelo menos para o próprio patrão (maioria), pois não basta que pague apenas o salário mínimo ou piso estabelecido por categoria e cruze os braços, se dando por satisfeito, achando que cumpre bem a sua parte. Ela vai muito além disso. Ou seja, não basta pagar salário pelo suor do trabalho de seu próximo, é preciso ser justo na retribuição daqueles que os servem.

Em outras palavras:

– É honesto um empregador que paga um piso a um funcionário que lhe rende milhões anualmente?

– É honesto um empregador que paga salário mínimo a uma empregada doméstica que cuida (alimenta, educa, protege…) seus filhos; prepara o alimento de todos e mantêm a casa limpa e em ordem?

– É honesto um empregador não repassar nenhuma remuneração extra a seus funcionários que ao final do ano elevam o lucro da empresa em mais de … 200, 300, 400%?

Quando penso que mesmo nos dias de hoje o homem ainda é capaz de escravizar o próprio homem, fica fácil entender como a maioria do empresariado, no Brasil e no mundo, está muito longe da evolução e dos propósitos divinos para com seu semelhante, pois pensam apenas em pagar o mínimo necessário pelo suor e serviço do próximo, para adquirir e armazenar cada vez mais para si próprio, sem se importar se o que paga de salário permite o sustento da família de seus servidores com alimentação adequada, saúde, educação, vestuário, habitação digna, conforto, bem estar geral e lazer.

“Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt.22:39), implica, sem sobra de dúvida, em honrar e respeitar o trabalho de todos aqueles que lhes servem. E longe do socialismo! Pois trata-se de uma simples questão de justiça. De ser honesto! Afinal, de que vale conquistar grandes fortunas às custas da exploração de mão obra alheia, sem a devida e justa remuneração?

Se aplicado esse princípio divino, um industrial, por exemplo, não deveria se orgulhar de ter grande produção têxtil, mas sim de ter uma indústria que produz homens prósperos e produtivos  que labutam honestamente e são incentivados, pela própria empresa, a se aperfeiçoarem e  a galgarem elevados postos de trabalho, sempre atingindo nobres e objetivos méritos profissionais, e serem reconhecidos moral e financeiramente por isso.

E para comprovar a orientação de Deus para a justa remuneração do trabalhador, eis aqui apenas algumas das diversas passagens da Bíblia Sagrada em que o Senhor Nos fala sobre o  assunto:

“Não oprimirás o teu próximo, nem o roubarás; a paga do diarista não ficará contigo até pela manhã” (Lv. 19:13).

 

“Não oprimirás o diarista pobre e necessitado de teus irmãos, ou de teus estrangeiros, que está na tua terra e nas duas portas” (Dt. 24:14)

 

“No seu dia lhe pagarás a sua diária, e o sol não se porá sobre isso; porquanto pobre é, e sua vida depende disso; para que não clame contra ti ao Senhor, e haja em ti pecado”(Dt. 24:15).

“Eis que o salário dos trabalhadores que ceifaram as vossas terras, e que por vós foi diminuído, clama; e os clamores dos que ceifaram entraram nos ouvidos do Senhor dos exércitos”(Tg. 5:4).

“Ai daquele que edifica a sua casa com injustiça, e os seus aposentos sem direito, que se serve do serviço do seu próximo sem remunerá-lo, e não lhe dá o salário do seu trabalho” (Jr. 22:13).

“E chegar-me-ei a vós para juízo; e serei uma testemunha veloz contra os feiticeiros, contra os adúlteros, contra os que juram falsamente, contra os que defraudam o diarista em seu salário, e a viúva, e o órfão, e que pervertem o direito do estrangeiro, e não temem o Senhor dos Exércitos”(Ml. 3:5).

Deus é mesmo incrível! Suas palavras são contemporâneas e vão ao cerne das questões, sem rodeios, e falam para todos nós.

E para que os afortunados não entendam esse segundo maior mandamento apenas no final da vida, quando, quase todos, correm para fazer caridade, doando quase tudo o que receberam ao longo da vida, numa vã tentativa de reparar danos e de tentar fazer justiça,  que as Palavras de Deus, contidas nas Escrituras Sagradas, os ajudem a refletir e a mudar, agora, para que possam, de fato, amar ao próximo como a si mesmos.

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