Rádio e TV Educativa de MS

O retrovisor em épocas eleitorais

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João Carlos Silva*

Quem acompanha a política do interior do nosso estado sabe que muitas coisas mudaram em tempos de tecnologia menos alguns hábitos tradicionais. Fazer política de casa em casa tornou-se a grande arma dos candidatos em tempos de curtos recursos e tempo hábil de campanha. Dia desses estava analisando algumas cidades e seus respectivos candidatos e fui buscar o desenvolvimento de algumas delas. Deparei com a cidade de Glória de Dourados, berço pujante da pecuária leiteira e de corte do estado. Lá a cidade já chegou produzir mais de cem mil litros de leite por dia e agora só produz trinta mil litros com muito esforço sendo que já foi considerada a capital do leite do estado. Centro de referência em genética (inclusive na exportação) e com um projeto de desenvolvimento rural modelo nacional, a cidade ficou no esquecimento nesses aspectos economicamente razoáveis para uma cidade que está no seio da região da Grande Dourados. Quem viu até pouco tempo a musculatura que a cidade mantinha na produção leiteira, na suinocultura, nos aviários de excelência, do bicho-da-seda e com barracões  fechados. Uma pena em tempos de escassez na economia nacional principalmente na geração de empregos. Arrecadando aproximadamente dois milhões de reais mês Glória de Dourados precisava se enquadrar na diretriz orçamentária estadual continuando seus amplos projetos desenvolvimentistas que o passado deixou como marca. Observei também alguns desleixos em prédios públicos como a falta de manutenção ao Ginásio de Esportes da cidade que está praticamente esfarelando e o prédio da Biblioteca Municipal totalmente esquecido por quem de direito. Um antigo problema que a cidade enfrenta é com a erosão em suas principais avenidas e isso acentuou muito nos últimos anos. Será que falta vontade política para o gestor ou será que não teve tempo suficiente para concluir seus projetos de campanha? Quando o candidato vence eleição ele sabe que terá pela frente muitos desafios. Com uma arrecadação como a de Glória é preciso unir inteligência, capacidade e comprometimento com as causas que a cidade abraçou. Esses questionamentos são feitos em muitas cidades brasileiras nesses tempos de política aliada com seriedade e ética. Não se permite mais gestores decadentes com intenção de fazer do abandono da sua cidade como lema de campanha para eleger seu sucessor. O estado foi feito para seus cidadãos e que permite gestões competentes e não incompetentes. Voltando ao cenário econômico vemos que o valor do leite cresceu muito no nosso estado. São oportunidades que surgem para o avanço do emprego e da geração de renda num segmento formatado com a cara das cidades do nosso interior. Gestores não podem jamais deixar de lado essa atividade voltando para o ciclo do inchaço da máquina pública, abandono daquilo que a cidade oferece aos seus moradores como também regredir no tempo achando que a sua cadeira de prefeito municipal será motivo para ser moldada como um busto terno. Não é assim que se devem pensar os futuros gestores que vão assumir em 01 de janeiro de 2017. Esquecer da educação, da saúde, do desenvolvimento da economia, da segurança e das outras metas usadas em campanha devem sim fazer com que o retrovisor seja deixado para trás. Cidades como Glória de Dourados são específicas num contexto da nossa economia. Se continuar com farol apagado pela estrada do desenvolvimento corre sério risco de ter a carteira de habilitação suspensa.

 

(*) João Carlos Silva é consultor e articulista

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