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Mostra Sci-Fi ocupa espaço audiovisual em centro cultural de Campo Grande

Centro Cultural Jose Octávio Guizzo sediará mostra entre julho e agosto que terá o Cyberpunk como foco das exibições
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Colossus 1980, uma das atrações da mostra. (Foto: Reprodução)

Colossus 1980, uma das atrações da mostra. (Foto: Reprodução)

O Centro Cultural José Octávio Guizzo recebe em seu espaço audiovisual a Mostra Sci-Fi, sob curadoria e mediação de Daniel Rockenbach, autor do blog Sentinela Positrônica. As exibições ocorrerão entre julho e agosto, às sextas-feiras, a partir das 19h e com entrada gratuita. Todos os filmes exibidos têm censura mínima de 16 anos.

Daniel explica que esta é sua quarta mostra sobre o tema. “Dessa vez, abordaremos o Cyberpunk mostrando desde filmes que serviram como influências para o movimento a filmes que mais tarde seriam marcos deste estilo de ficção científica”, explicou. Ele pontua que essas narrativas trazem um tom mais pessimista, que mostram o indivíduo sufocado pela tecnologia ou corporações em um futuro distante de narrativas tradicionais como “2001” ou “Star Trek”.

A ficção científica adotou várias tendências em suas narrativas, algumas valorizando mais a forma, outras o impacto de determinadas tecnologias, mas todas têm algo em comum: histórias envolvendo pessoas em situações extraordinárias.

Daniel explica que o Cyberpunk surgiu quando a ficção científica pedia algo novo, imperfeito, distante do otimismo dos autores clássicos como Arthur C. Clarke e Isaac Asimov e mais próximo do pessimismo e ironia de Kurt Vonnegut e Philip K. Dick. Foi no começo dos anos 1980 que William Gibson apareceu com o romance “Neuromancer” para abalar as estruturas da ficção científica tradicional, trazendo a sarjeta cheia de neon e cromo com personagens vivendo em um mundo controlado por corporações seguindo um estilo “high tech, low life” e coexistindo numa matrix onde as informações circulam e podem ser acessadas por qualquer um capaz de hackear um sistema.

O cinema seguiu essa tendência com filmes que começaram a fugir do tradicional otimismo e partiam para mundos controlados por máquinas ou corporações malignas tomando conta de tudo em futuros em que o sistema deu errado.

Seguem abaixo os filmes selecionados e a data de exibição:

13 de julho: “Colossus 1980” (1970) – Direção: Joseph Sargent

O Dr. Charles Forbin (Eric Braeden) cria o supercomputador Colossus para o Departamento de Defesa dos Estados Unidos com a intenção de deixar a inteligência artificial no encargo de cuidar da defesa do país. Contudo, Colossus descobre a existência de uma contraparte soviética com as mesmas capacidades e ambos iniciam um diálogo que vai resultar num plano que colocará todo o projeto e a humanidade em perigo.

O destaque nesse filme é a inteligência artificial como tecnologia opressora e que no futuro influenciaria o Cyberpunk com um dos seus mais fortes elementos.

Cartaz de "No Mundo de 2020"

Cartaz de “No Mundo de 2020”

20 de julho: “No mundo de 2020” (1973) – Direção Richard Fleischer

Em 2022 a Terra está superpovoada e sofre com a escassez de alimento para a população. O policial Robert Thorn (Charlton Heston) investiga o assassinato de um executivo cuja companhia produz uma comida sintética nutritiva que resolve parte do problema alimentício. No processo de rastrear o assassino, Thorn descobre que nem todos estão interessados numa solução para o caso e que poderes maiores querem manter as coisas como estão.

O longa é emblemático por ser um dos primeiros a mostrar corporações controlando um mundo devastado pela pobreza e excesso populacional, um dos elementos mais constantes no Cyberpunk.

Hardware: "vocês não podem parar o progresso"

Hardware: “vocês não podem parar o progresso”

3 de agosto: “Hardware” (1990) – Direção Richard Stanley

Em um futuro tomado pela radiação em que as pessoas vivem rodeadas dos escombros das últimas grandes guerras, um andarilho recupera a cabeça de um androide e seus restos perdida em um deserto inóspito. Esse androide para nas mãos de Baxter (Dylan McDermott) que vende as outras partes e presenteia sua namorada Jill (Stacey Travis) com a cabeça. Jill é uma artista que vive isolada em uma megalópole e decide usar a cabeça do androide como destaque em uma de suas obras sem saber que o mesmo retomará a consciência e, com isso, sua programação letal.

“Hardware” se tornou um clássico independente que traz a máxima do Cyberpunk com personagens que vivem rodeados de tecnologias mas nenhuma capaz de tirá-los de suas vidas miseráveis. O longa ainda conta com as lendas do rock Iggy Pop, o radialista Angry Bob e Lemmy Killmister do Motorhead como o taxista.

Cartaz de Ghost in The Shell

Cartaz de Ghost in The Shell

17 de agosto: “Ghost in the Shell” (anime/1995) – Direção: Mamoru Oshii

A animação baseada no mangá homônimo de Masamune Shirow conta a história da major Motoko Kusanagi, uma operativa de uma agência secreta do governo que cuida da segurança nacional e que acaba encontrando o hacker conhecido como Mestre dos Fantoches. A major, como Motoko é conhecida, tem tantos implantes e melhorias em seu corpo que ela mal se sente humana, podendo se dizer que dela restou apenas sua alma, um fantasma em uma casca cibernética.

A animação é um dos exemplos máximos do Cyberpunk em toda sua definição mostrando um futuro opressor, dominado por corporações e que o fluxo de informações pela rede torna obsoletos os conceitos territoriais como conhecemos.

Cartaz de Estranhos Prazeres

Cartaz de Estranhos Prazeres

24 de agosto: “Estranhos Prazeres” (1995) – Direção: Kathryn Bigelow

Lenny Nero (Ralph Fiennes) é um ex-policial que trabalha vendendo discos que permitem que seus clientes experimentem emoções de outras pessoas. Após ver uma prostituta sendo assassinada em um desses discos, ele pede ajuda a Mace Mason (Angela Basset) para encontrar o assassino sem saber que existe toda uma conspiração por trás de interesses ainda maiores.

O filme é o mais próximo de uma adaptação do trabalho de William Gibson que Hollywood já produziu, superando até mesmo filmes baseados na obra do autor como “Johny Mnemonic” mas não tiveram o mesmo sucesso em captar o clima e a narrativa do autor. Vale ressaltar que James Cameron já tinha uma prévia do roteiro pronta em 1986 mas só foi adiante com a produção nos anos 1990.

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