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‘Manoel de Barros o Poeta das Miudezas’

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*Por Bosco Martins

“O grande poeta de pequenas coisas,” Manoel de Barros faria 101 anos neste 19 de dezembro, quando foi homenageado com diferentes presentes.

A inauguração da estátua, em tamanho real do Poeta, na avenida Afonso Pena é um dos presentes. A Obra de arte do cartunista e escultor campo-grandense Victor Henrique Woitschach, o Ique já está instalada.

Outro presente é o lançamento do livro “101 Reinvenções para Manoel – Um estudo sobre a influência da linguagem do poeta Manoel de Barros sobre a criação literária em MS. A 1ª edição da obra conta com 1.500 exemplares, e foi organizada pelos Poetas e Professores Fábio Gondim e Ana Maria Bernardelli.

Era 27 de abril de 1983 e eu completava 26 anos, quando meu amigo e filho do poeta, João Venceslau de Barros, me convidou para conhecê-lo. Naquele tempo, Manoel ainda trabalhava no escritório da fazenda na rua Rui Barbosa entre a 15 de novembro e a Afonso Pena, área central de Campo Grande/MS.

A partir daquele dia nos tornamos amigos. Tive a felicidade e o privilégio de conviver com ele em sua casa.

Mesmo pertencendo a uma geração cuja diferença nos distanciava em pelo menos quatro décadas, a nossa amizade continuou forte até o fim e com um enredo especial e terno. Nos anos de visitas eu me mantinha informado por Stella sobre o amigo e acompanhava seu dia a dia.

Nessa hora especial, recomendava àqueles que tinham o privilégio do encontro, o ritual da doação. Manoel era reservado e sempre preservava sua “timidez de bugre”. Isso talvez justifique o fato que, mesmo sempre muito assediado, o poeta tenha resguardado seu “ritual final” apenas aos familiares.

Costumava brincar com ele dizendo que havia se transformado (mesmo a contragosto) em uma espécie de “superstar da poesia”; assim, claro, não conseguia atender a todos, mesmo desejando.

Manoel sempre significou para mim e minha companheira Marcia – com quem sempre dividi a vida, os filhos e também a amizade dele e de Stella – um amigo fraterno, um irmão, “uma asa que nos elevava para Deus”, como diria Mario de Andrade. O lado bom de sua pessoa era da imagem que se cristaliza no bem.
Dentre os rituais de consagração, sobretudo nas visitas a ele, as lições de poesia eram fornecidas por quem não se limitava à situação de poeta.

Ao amigo, a liberdade do espaço da rua, da conversa de homem para homem entre seres que se respeitam e, acima de tudo, se entendem.

“O Poeta gostava de contar, aos amigos comuns, de como nos conhecemos:
No dia em que nos encontramos pela primeira vez, o Bosco fazia aniversário e o João chegou dizendo que queria apresentar um amigo cujo presente seria me conhecer.
Perguntei-lhe então quantos anos fazia?
Ele me respondeu citando Galileu:
Tenho, na verdade, os anos que me restam de vida, porque os já vividos não os tenho mais”.
Rimos bastante naquele dia de encontro especial e inesquecível.

Eu já tinha ciência da importância daquele pequeno grande poeta, de 66 anos e pouco mais de um metro e meio de altura, cuja amizade se tornou meu melhor “presente”.

*Bosco Martins, jornalista, é diretor-presidente da Fertel (Fundação Jornalista Luiz Chagas de Rádio e TV Educativa de MS).

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