Rádio e TV Educativa de MS

HRMS 20 anos: Tratamento de câncer salva vidas de milhares de crianças e é referência no Estado

Por ano são diagnosticados cerca de 250 novos casos de câncer infantil e doenças hematológicas em crianças.
0

O Centro de Tratamento de Oncologia Infantil (Cetoi) é mais um dos serviços de referência do Hospital Regional Rosa Pedrossian (HRMS). Inaugurado em maio de 2000, já são 17 anos atendendo crianças e adolescentes de 0 a 18 anos portadoras de doenças oncológicas e hematológicas como anemia falciforme, hemofilia, todos os tipos de anemia, doenças do sangue.

Médico oncologista pediátrico Marcelo trabalha no Cetoi desde sua criação.

O médico oncologista pediátrico, Marcelo dos Santos Souza, trabalha no Regional há 19 anos. De acordo com ele, o setor não tem fila de espera. “Se tem uma criança com uma urgência, está no posto de saúde e precisa de atendimento da hematologia ou oncologia sempre recebemos. Geralmente os médicos entram em contato direto com a gente e nós pedimos para vir pelo PAM [Pronto Atedimento Médico] ou regulado pelo ambulatório. Temos 16 leitos para atender as crianças . Desses, 12 são de isolamento. Os tratamentos geralmente são de longo prazo: seis meses a dois anos para paciente oncológico. Já os pacientes hematológicos com doenças crônicas são para vida toda. Já recebemos aqui desde recém nascido até a faixa limite da clientela”.

Equipe médica faz análise de plaquetas sanguíneas no setor.

Das doenças oncológicas, a que tem mais incidência é a leucemia aguda, em torno de 35% dos casos. Por mês, o hospital mantém uma média de 60 a 70 crianças em quimioterapia. São atendidos cerca de 250 novos casos de câncer e doenças hematológicas por ano. Já as consultadas ambulatoriais são 100 por semana. O Cetoi existe devido a uma parceria do Estado com a Associação dos Amigos das Crianças com Câncer (AACC), que idealizou, mobiliou e ajudou a abrir o serviço. A equipe multidisciplinar, composta por psicóloga, dentista, fonoaudióloga, assistente social, fisioterapia, nutricionista, grupo de voluntariados, terapeuta ocupacional, são todos funcionários da AACC que prestam serviço dentro do hospital.

Equipe oncológica busca soluções para tratamento de crianças e jovens.

“O Ceoti é o único centro especializado em tratamento de câncer de crianças em Mato Grosso do Sul. É o serviço de referência do Estado, único credenciado e habilitado pelo SUS [Sistema Único de Saúde] para esse atendimento. Nossa equipe tem quatro médicos, residência médica oncologia pediátrica – vaga para dois residentes por ano. Além de ser assistencial é de ensino e pesquisa. Também participamos de pesquisa de tratamento de câncer junto com vários outros serviços do Brasil e pesquisa clínica, ou seja, muitos tratamentos que são feitos em São Paulo, Rio de Janeiro a gente traz para cá para poder fazer aqui, implantar”, conta.

Brinquedoteca proporciona momentos de lazer para as crianças em tratamento.

O setor tem 95% de satisfação e muitas famílias de pacientes se tornaram voluntários para dar apoio a outras crianças e adolescentes que enfrentam a doença. “Nós temos uma mãe de um paciente adolescente que precisou fazer transplante de medula óssea fora e mesmo assim foi a óbito. Ela é nossa voluntária aqui. Outros projetos como Liga do Bem vem em datas comemorativas. Temos ainda reuniões com psicólogos para as famílias. Eu sempre digo ao paciente oncológico, que o câncer é um detalhe na vida dele. Vivenciamos o contexto familiar e muitos trazem os problemas para dentro do hospital. Quando vai analisar, o câncer é um detalhe. Por isso temos uma equipe multidisciplinar trabalhando, que ajuda tanto na parte emocional, quanto na parte de assistência social que faz visita domiciliar mesmo de entrega de cesta básica, conserto da casa, ajuda na melhoria das condições de vida, aliada a um tratamento psicológico para família, pais, irmãos”, explica Marcelo.

Na avaliação do oncologista, o serviço é fundamental no enfrentamento à doença. “Se nós considerarmos que antes da criação do Cetoi a taxa de cura de câncer em crianças no Estado era em torno de 5% e, agora, estamos próximos a 70%, é possível ver com clareza que o Cetoi faz toda a diferença. Além disso, é um tratamento caríssimo que se não fosse gratuito, muitas famílias não teriam condições de fazer. Já é difícil para muito deles saírem do interior e vir para Campo Grande. Agora imagina andar mil quilômetros e ir para são Paulo, por exemplo, para se tratar. Então, faz toda diferença”.

Reunião multidisciplinar avalia casos de pacientes em tratamento no Cetoi.

Há uma reunião multidisciplinar toda semana para discutir casos clínicos dos pacientes internados em ambulatório, casos novos, que vão desde a parte de tratamento a todo acompanhamento dos pacientes. “Reunimos o corpo médico, de psicologia, fisioterapeutas, nutricionistas, todo mundo dá o parecer sobre o caso”, pontua.

Servidora Evanete conta que já viu muitas famílias passarem pelo tratamento.

A servidora Evanete Martins da Cunha Silva, conta que trabalha a tanto tempo no Cetoi, que casou e ficou viúva atuando no Centro. “Trabalho no Regional desde a época que o médico padrão dormia aqui no colchãozinho, fazia receituário no carbono. A quantidade de famílias que eu já vi passar, muitas não teria condições de ter um tratamento desses porque é de alto custo. Antigamente, tivemos casos de mães que ficavam aqui com filhos internados e o pai foi embora, arrumado outra família. Hoje é importante demais para o Estado inteiroo Cetoi. É a minha vida esse setor”.

Sandra Souza da Fonseca, 39 anos, (foto capa) está com a filha Giovana de 12 anos, tratando uma leucemia reincidente. “Agente perdeu o chão. Ela sentiu uma dor no quadril à noite, teve febre e desconfiamos, porque ela já teve a doença anos atrás. A primeira vez foi com 5 anos. Foram dois anos de tratamento. E agora com 12 anos voltou. Demorei para acreditar, mas a Giovana está reagindo bem, respondendo ao tratamento, estamos sendo bem atendidas. Quando precisamos, fomos acolhidos de imediato. Tudo o que precisamos tem aqui, precisou de plaquetas, exames, fez tudo aqui no HRMS. A equipe é fantástica. Pelo SUS a gente até se surpreende, parece que estamos em um hospital particular. Devido ao tempo que ficamos aqui, acabamos nos tornando uma família. É um lugar que passa confiança”.

Funcionários da AACC que prestam serviço no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul .

O funcionário da AACC que presta serviço no Cetoi, Laercio Borgato Morales, diz que a brinquedoteca proporciona um momento de lazer e recreação às crianças. “É uma forma de dar conforto. Aqui elas esquecem um pouco do tratamento, da medicação. Vamos juntos vendo a necessidade delas e dos pais. Além de que, toda criança, precisa brincar. Cada um no seu momento. Daqui a pouco chega a enfermeira que tem que levar a criança para um medicamento e nós providenciamos o que precisa para elas e os pais”.

Simone e sua pequena Maria Fernanda receberam tratamento no Cetoi.

Para Simone Borges dos Santos, 35 anos, o setor foi fundamental para a reabilitação da sua pequena Maria Fernanda, 6 anos, que está tratando de uma leucemia. “O tratamento já tem um ano e sete meses. Ela evoluiu bastante e, agora, está em fase de manutenção. Desde o primeiro momento fomos acolhidas. Viemos encaminhadas de outro hospital. O doutor Marcelo foi gentilmente examinar ela lá e nos transferiu para o HRMS. Considero esse setor fundamental para as mães que passam pelo o que nós passamos. Temos todo suporte aqui. Tem terapia para mães, atividades, pintura, jogos, artesanato, confecção de pulseiras e colares, muitas atividades para dar uma relaxada. Quando recebemos a notícia do câncer de um filho, é desesperador, como se caíssemos num buraco sem fundo. Isso, sem falar nas mães que precisam ficar acolhidas, vindas de outas cidades. Então, só tenho a agradecer pelo tratamento que salvou avida da minha pequena”.

Texto e fotos: Diana Gaúna – Subsecretaria de Comunicação (Subcom)

Deixe sua resposta

Seu endereço de email não será publicado.