Fórum Nacional de Emissoras Públicas de Rádio e TV se reúne em Brasília: Ibepec e novas tecnologias pautam encontro

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Dirigentes de empresas estatais de Rádio e Televisão se encontram nesta quinta-feira em Brasília para discutirem união de esforços em favor do futuro do setor
Bosco Martins (ao centro) em reunião na qual foi aclamado presidente do Fórum. (Foto: Divulgação)
Bosco Martins (ao centro) em reunião na qual foi aclamado presidente do Fórum. (Foto: Divulgação)

O presidente do Fórum Nacional de Emissoras Públicas de Rádio e Televisão, Bosco Martins, ao lado do vice-presidente, Sérgio Kobayashi (conselheiro da TV Cultura de São Paulo) e do secretário-geral Fábio Borba (TV Cultura-SP), comanda nesta quinta-feira (9) em Brasília a primeira reunião do ano da entidade, com presença de diretores e representantes das principais empresas estatais de comunicação do país associadas para discussão de temas como os desafios e necessidade de reinvenção do setor com o avanço de novas tecnologias. A organização e união de forças das empresas, visando a otimização de trabalhos e a redução de custos, também faz parte da agenda.

Já confirmaram presença no encontro representantes da TVE Alagoas, TV Cultura do Amazonas, TV Ceará, TVE Espírito Santo, Rede Minas, TV Aperipê do Sergipe, TVE Cultura Mato Grosso do Sul, TV Cultura do Pará, TV Pernambuco, TVE Paraná, TVE Tocantins e TV Cultura de São Paulo).

Durante o encontro, que acontece a partir das 9h de quinta no Hotel Kubitscheck Plaza, na capital federal, serão apresentados os novos dirigentes das emissoras públicas, já que muitas pessoas chegaram aos cargos em janeiro deste ano com as trocas nos governos. Bosco também apresentará aos participantes o Ibepec (Instituo Brasileiro das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais), uma nova organização que visa a congregar emissoras com foco cultural e educativo para que, juntas, possam atuar de forma ainda mais abrangente que o fórum.

“Passamos por um momento de reinvenção da TV, que vai muito além das emissoras públicas. Estas, porém, estão mais vulneráveis às transformações por dependerem quase que exclusivamente de verbas públicas para seu funcionamento. E, ao contrário do que paira no imaginário global, isto não é uma vantagem, principalmente quando consideramos um período de cortes orçamentários nos quais a cultura e a comunicação institucional estão sempre entre as primeiras vítimas”, destacou Kobayashi.

Organização
Emissoras públicas estão reunidas em órgão que visa a buscar alternativas para fortalecimento do setor. (Foto: Divulgação)
Emissoras públicas estão reunidas em órgão que visa a buscar alternativas para fortalecimento do setor. (Foto: Divulgação)

O Ibepec permitirá que as emissoras estaduais e municipais se organizem para um compartilhamento efetivo de programações, representação comercial e, até mesmo, de produção. Uma alternativa é a composição de um pool em Brasília para a confecção de conteúdo, que abranja desde a cobertura de audiências públicas e debates que tenham como foco a Educação, a Cultura e o Meio Ambiente, além da atuação dos gestores locais.

“Iremos apresentar as propostas e, principalmente, possibilidades que o Ibepec oferece para as emissoras públicas, já nos preparando para mudanças que estão acontecendo nas redes públicas de rádio e televisão e deixando o órgão preparado para já abraçar iniciativas que podem ser expandidas com a participação das empresas públicas”, salientou Fábio Borba, referindo-se a iniciativas que a TV Cultura de São Paulo, atualmente cabeça de rede para muitas empresas públicas estaduais, realiza com suas parceiras –caso dos programas Vitrine Brasil, que mostra as riquezas regionais, e o AgroCultura, que promove a cobertura de grandes temas do agronegócio pelo país.

A consolidação e fixação do Ibepec em Brasília estão entre as pautas dos diretores, que vão discutir, também, uma estratégia política para atuação conjunta perante o governo federal para a liberação da multiprogramação –pelo qual um único canal permite que outros tenham o seu sinal transmitido no sistema digital. Empresas públicas de comunicação pretendem utilizar a possibilidade em setores como o Educacional, com a consolidação de modelos de EaD (Ensino à Distância), entre outras funções.

Tecnologias

Durante o encontro do Fórum, Bosco Martins também fará uma exposição acerca da necessidade de transformação das emissoras estatais, com a absorção das novas tecnologias de forma a maximizar o alcance do conteúdo transmitido pelas TVs públicas. “Obviamente não estamos falando que a televisão vai acabar, mas os grandes conglomerados de comunicação do mundo já perceberam que, com o avanço de sistemas como o streaming, precisam repensar seu modo de oferecer a programação”, explicou o presidente do Fórum, que também é o diretor-presidente da Fertel (Fundação Luiz Chagas de Rádio e TV Educativa de Mato Grosso do Sul).

O conteúdo OTT (Over The Top, usado por plataformas como a Netflix, Amazon Prime e outras) permite que o telespectador ou internauta acessa na hora que quiser o programa que deseja assistir, bastando para isso uma conexão à internet. “Essa será uma sigla muito usada no setor de comunicação nos próximos anos, pela necessidade de as emissoras se adaptarem a essa nova demanda de seu público. A ponto de que muitas já contam com esse tipo de serviço em diferentes formatos”, destacou Bosco.

O presidente do Fórum de Emissoras Públicas alerta, porém, que não basta apenas disponibilizar o conteúdo na internet que o problema será resolvido. “Segurança de dados e velocidade de acesso são apenas alguns dos aspectos que o internauta leva em consideração. Mas uma constante que existe até hoje continuará a influenciar: a qualidade do produto oferecido. Todos esses denominadores devem ser pesados para que se atinja um resultado apropriado”, finalizou.


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