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8 de fevereiro de 2023 - 13:07

Exposição na RTVE: “Olhares infantis” bordam obra de Manoel de Barros

Alunos de 9 a 10 anos expõem trabalhos no saguão da Rádio e TV Educativa em homenagem ao poeta que completaria 99 anos nesse mês de dezembro

Os trabalhos retratam a obra de Manoel de Barros na forma que mais se aproxima do estilo literário do poeta, marcado pelas “brincadeiras” com as palavras e um vocabulário muito peculiar, interpretativo e estilo figurado..

Os alunos, com idades de 9 e 10 anos, são do quinto ano da Escola Oswaldo Tognini, da Fundação Lowtons de Educação e Cultura (Funlec) de Campo Grande. Os trabalhos, que unem arte plástica e artesanato, estão expostos no Espaço Cultural da Rádio e TV Educativa (RTVE), local bastante visitado por turistas que chegam à Capital.

São cerca de 100 gravuras em acrílico e colagem, ilustrações com giz de cera e telas bordadas com linhas de crochê, uma técnica francesa chamada “ponta de agulha”.

P1330927 (2)“Aqui respiramos arte e poesia”, nota o professor de ensino fundamental Everton Facchini, idealizador da exposição, montada para lembrar Manoel de Barros, que morreu em novembro do ano passado.

Os trabalhos foram expostos na Escola Oswaldo Tognini e a exposição foi levada ao saguão da RTVE para marcar o mês em que o poeta completaria 99 anos. “Foi uma surpresa muito grande e a revelação do poder da mensagem da poesia de Manoel de Barros, cuja obra é marcada pela interpretação das coisas na visão de uma criança”.

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Mães de alunos, Bosco Martins e professor Everton posam para foto junto com os artistas mirins da Escola Oswaldo Tognini

Everton selecionou versos de duas obras de Manoel de Barros – Exercício de Ser Criança e O Fazedor de Amanhecer – e distribuiu aos 48 alunos de duas turmas do quinto ano. Ensinou a eles a antiga técnica de bordado em tela e pediu que interpretassem os fragmentos literários em desenhos. “O resultado é esse aí”, mostra o professor, surpreso com a fiel representação da obra do poeta.

A ideia de reavivar a memória do ícone da literatura sul-mato-grossense não apenas atingiu o objetivo da afirmação da perenidade da obra de Manoel de Barros, mas desencadeou descobertas entre os alunos, que se mostram estimulados a criar.

“É uma iniciativa que também provoca a vocação, para a literatura e às artes plásticas, além de exercitar a criatividade e proporcionar a descoberta de talentos”, comenta o jornalista Bosco Martins, diretor-presidente da Rádio e TV Educativa, que tinha uma relação muito próxima e era confidente de Manoel de Barros. Bosco Martins foi convidado para a primeira exposição na Escola Oswaldo Tognini e aprovou a ideia de levar a exposição para o saguão da RTVE.P1330941 (2)

Para o “caro amigo”, fã, discípulo, admirador e confidente do poeta, a obra de Manoel de Barros é de uma singularidade sem comparação. “Manoel de Barros brinca com o vocabulário e a palavra chave na obra do poeta é brincar, deixando a imaginação surfar além do tempo”.

A artista plástica Ana Ruas foi convidada para orientar os alunos e junto com eles também retratou Manoel com acrílico sobre tela. E a professora Carla Carvalho fez o “auto-retrato” do poeta, que na exposição foi reencarnado pelo estudante Angelo Milani, de 10 anos.

A aluna Iane Pilegg, 10 anos, diz que não teve dificuldade em retratar na tela o fragmento passado a ela pelo professor Everton. “Foi muito fácil, a gente entende a poesia de Manoel de Barros”, diz, mostrando a sua tela em que aparece um caramujo atrás da porta. O bordado foi inspirado nessa poesia: “A gente hoje faz imagens. Tipo Assim. Encostado na porta da tarde estava um caramujo. Estavas um caramujo – disse o menino. Porque a tarde é oca e não pode ter porta. A porta eras. Então é tudo faz de conta como antes?”

P1330919 (2) - CopiaGustavo Foletto, 10 anos, também se sentiu muito à vontade. “Entender a poesia foi fácil. A técnica de bordar é mais difícil”, diz. O fragmento – “A voz se estendeu na direção da boca. Caranguejos apertavam mangues. Vendo que havia na terra. Desprendimentos demais” – resultou no desenho de uma boca e um caranguejo. Para o professor do aluno, o mais interessante nessas “pequenas grandes obras” está na espontaneidade dos traços.

Lucas Benante, 10 anos, também não esconde a felicidade de mostrar um trabalho que aprendeu e deixou com gosto de “quero mais”. Das estrofes de um poema (“De tarde um velho tocará sua flauta para inverter os ocasos. Não posso mais saltar na areia que nem um Lambari que escapasse do anzol”), bordou um peixe.

P1330923 (2) - CopiaNunca foi tão fácil brincar de fazer arte ou fazer arte brincando. A julgar pelo semblante das crianças, exposição sobre Manoel de Barros deve entrar no calendário de atividades dos alunos. “Reviver Manoel de Barros nesse clima de alegria e perfeita compreensão da obra do poeta está sendo muito bom, não deixa de ser uma pedagogia artístico-cultural. Estamos revivendo aquilo que Manoel de Barros sempre prezou. Brincar e ser criança sempre”, diz Bosco Martins.

O acesso à exposição é livre e gratuito de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. Os trabalhos ficarão expostos até o fim do mês de janeiro de 2016.

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