Especialista explica no Bom Dia Campo Grande importância da vacinação ante avanço de casos de sarampo

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Gislaine Coelho Brandão, coordenadora de Vigilância Epidemiológica da SES, fala à Educativa 104.7 FM sobre ações para evitar que doença faça mais vítimas
Gislaine Coelho Brandão (à direita) detalhou no Bom Dia Campo Grande métodos para enfrentamento ao sarampo. (Foto: Iasmin Biolo/Fertel)
Gislaine Coelho Brandão (à direita) detalhou no Bom Dia Campo Grande métodos para enfrentamento ao sarampo. (Foto: Iasmin Biolo/Fertel)

Com o aumento no número de casos de sarampo notificados pelo país –são 2.331 já confirmados em três Estados–, autoridades de Saúde em Mato Grosso do Sul têm se preparado para conter a doença, tanto com bloqueios imunológicos realizados em torno de casos confirmados (um até o momento, em Três Lagoas), como com apelos para que a população se vacine contra esta e outras doenças. A medida se fez necessária diante do crescimento, em caráter mundial, de movimentos contrários à imunização, colocando em risco adultos e, principalmente, crianças, que podem morrer diante de um problema que seria facilmente evitável.

O Bom Dia Campo Grande desta segunda-feira (9) recebeu a coordenadora de Vigilância Epidemiológica da SES (Secretaria de Estado de Saúde), Gislaine Coelho Brandão, para falar sobre as medidas adotadas por Mato Grosso do Sul para enfrentar o surto de sarampo, que já tem casos registrados em Estados vizinhos, como São Paulo.

“Neste ano enfrentamos um surto muito grande no país. No ano passado houve a reintrodução do sarampo pelo Norte, com alguns óbitos. Com isso, tínhamos a expectativa de que a doença adentrasse Mato Grosso do Sul, já que no país todo, temos uma cobertura aquém do desejado em relação à vacina”, afirmou Gislaine na Educativa 104.7 FM.

Ela alertou que pessoas que não são vacinadas são susceptíveis ao contágio de doenças. No caso do sarampo, o problema é que alguém que porte o vírus começa a transmiti-lo seis dias antes de apresentar os sintomas e até quatro dias depois da cura. “É uma doença altamente contagiosa”.

Contágio

Gislaine afirma que existem dois fatores de risco que ajudam no aumento no total de casos de sarampo. Um deles é uma crescente corrente contra a vacinação, “inclusive de pediatras que fazem campanhas para mães não vacinarem seus filhos alegando que a vacina poderia causar certas doenças, o que já foi cientificamente comprovado que não ocorre”.

Sem a imunização, alertou ela, as crianças ficam desprotegidas. Como resultado, doenças que não tinham casos notificados em diversas partes do mundo voltaram a aparecer –já que, embora não haja casos, os vírus continuam a circular.

O segundo fator é justamente o de pessoas que, mesmo reconhecendo a importância da vacinação, negligenciam-na. “As pessoas ficam negligentes porque, quando não veem ninguém ficando doente, acham que não há risco, deixando de levar os filhos na data certa para acompanhamento e vacinação de rotina”.

A coordenadora lembra que o sarampo, como outras doenças transmitidas pelo ar –caso da influenza– são altamente contagiosas. “O vírus fica no ambiente e entra em contato com a pessoal quando ela aspira a partícula viral. Se ela não estiver vacinada, ficará doente”, explicou. Situações como contato com pessoas em locais fechados ou a proximidade de pessoas portando o vírus favorecem a contaminação.

Os sintomas do sarampo são conhecidos, incluindo exantema (manchas vermelhas pelo corpo, que costumam começar a surgir atrás da orelha e se espalham), que podem levar à confusão com manifestações da dengue. A coordenadora de Vigilância em Saúde afirma que três outros sintomas precisam ser confirmados na “tríade” que aponta a doença: conjuntivite, febre alta e tosse.

“Considerando isso, a pessoa é tratada como um caso suspeito, que só se confirma depois de exames laboratoriais, mas as ações são feitas independentemente de ser confirmado, porque o sarampo é altamente contagioso e, por isso, temos de agir logo”. O sarampo pode matar.

Cuidados

A preocupação maior é com crianças e mulheres grávidas –já que idosos costumam já ter desenvolvido imunidade, por vacinação ou já terem desenvolvido o sarampo. “As mães só podem ser vacinadas antes da gravidez porque, junto com a vacina do sarampo, tem a da rubéola, que não pode ser aplicada em mulheres grávidas”, advertiu Gislaine, solicitando que, em caso de dúvidas, mulheres grávidas não sejam imunizadas. E, por estarem amamentando, também há um prazo após o parto para que recebam a medicação.

No caso de bebês, a vacina contra o sarampo não pode ser aplicada antes dos seis meses de vida, já que a medicação usada no Brasil não tem estudos apontando seus efeitos abaixo desta idade. “Caso a mãe de uma criança com menos de seis meses tenha de sair, deixe o bebê em casa com alguém, sai com ele no máximo para ir ao médico ou outro local mais protegido”, recomendou a especialista.

Controle
Coordenadora de Vigilância Epidemiológica ressalta que muitas doenças são preveníveis com a vacinação. (Foto: Iasmin Biolo/Fertel)
Coordenadora de Vigilância Epidemiológica ressalta que muitas doenças são preveníveis com a vacinação. (Foto: Iasmin Biolo/Fertel)

Gislaine afirma que não há falta de vacinas no Estado, porém, não existe no país estoque para uma grande campanha em massa de vacinação. A medicação também é usada nas situações de bloqueio –quando há um caso suspeito, a fim de que as pessoas não desenvolvam o sarampo.

Foi o que ocorreu no caso suspeito em Três Lagoas, envolvendo um paciente que teria contraído sarampo em São Paulo. “Ele transitou em bastantes locais, então, fizemos a verificação de comprovação (de imunização) e o bloqueio seletivo, quem não tinha comprovação tomou mais uma dose para garantir que não haverá transição”.

O enfrentamento ao sarampo envolve, ainda, a aplicação da chamada “dose zero”, que não entra no sistema padrão de controle. Para crianças, ela envolve a aplicação de doses entre seis meses e um ano de vida, além daquelas entre um ano e os 15 meses.

“Como havia muitos bebês em São Paulo verificou-se que era uma faixa mito grande da população e se ampliou o calendário. De seis meses a um ano foi aplicada a dose zero, que não conta para cobertura vacinal”, disse Gislaine. Assim, mães podem verificar nas unidades de saúde a possibilidade da imunização extra –que depende de fatores como a aplicação de imunizantes contra outras doenças, como a febre amarela (que não permite doses concomitantes com outras).

Dentro do sistema padrão, o reforço inclui duas doses de vacina contra o sarampo entre 1 e 29 anos e pelo menos uma entre os 30 e 49 anos. “Sempre falamos da preocupação com a imunização da criança, mas o adulto deve, rotineiramente, verificar se há alguma vacina que não esteja em seu calendário. Muitos municípios têm como verificar para saber se o paciente tomou a dose ou não. É importante fazer a atualização do calendário vacinal para ver se precisa atualizar ou não”.

Cautela

Gislaine ainda afirma que, em alguns Estados, crianças menores de 6 meses têm recebido doses de vitamina A para reforçar o sistema imunológico. A coordenadora de Vigilância alerta, porém, que essa prática não substitui a vacina e não deve ser adotada sem acompanhamento médico.

“A vitamina não impede a contaminação, porque o sarampo é uma doença muito infectante, mas abranda um pouco os sintomas. O vírus do sarampo tem um componente que agrava muito o sistema geral do paciente e pode levar a óbito. A ideia da vitamina é fazer cm que os sintomas não sejam tão agressivos como ocorre, principalmente nas crianças menores, que não têm contato com a vacina e podem sofrer agravamentos dos quadros. A distribuição ocorre nos Estados em surto, o que não é o caso de Mato Grosso do Sul”, relatou.

Ela ainda afirma que a vitamina distribuída tem uma concentração específica. Além disso, não é recomendado dar nenhuma medicação a crianças sem a devida orientação de um médico. “Você não deve medicar em casa só porque isso está na mídia”.

Gislaine explicou, ainda, que o Ministério da Saúde programava para outubro a realização de uma campanha para atualização de cadernetas de vacinação, com doses a mais para a rede pública, “mas por conta dos casos de sarampo a ação vai ser modificada, concentrando nesta doença. As datas ainda não foram definidas, mas deve trabalhar uma faixa etária no começo e as demais depois, como acontece no caso da gripe”.

Por fim, da especialista lembra que o avanço de doenças sem vacinação não é um fenômeno apenas no Brasil, com Estados Unidos e Europa tendo de se debruçar sobre o a questão. A diferença é que nestas localidades há campanhas contra a vacina, “e eles pagam o preço com isso, já estão há mais tempo sem conseguir controlar o surto de sarampo por conta da quantidade de criança que não tiveram contato com a vacina e ficaram suscetíveis”, resultado da crença de que a imunidade natural da criança é capaz de debelar a doença, o que gera outro problema com a superlotação de leitos hospitalares, principalmente UTIs.

“Trabalhamos para que isso não ocorra, mobilizando os municípios e por meio de web-aulas, para pedir a população que leve as crianças para se vacinarem de doenças imunopreveníveis. No caso do sarampo, as duas doses tem 97% de chances de fazer efeito, com apenas 3% dos casos não conferindo a imunidade. É importante se vacinar contra o sarampo e outras doenças”, finalizou.

Sintonize – Com produção de Rose Rodrigues e Alisson Ishy e apresentação de Maristela Cantadori e Anderson Barão, o Bom Dia Campo Grande permite a você começar o seu dia sempre bem informado, por meio de um noticiário completo, blocos temáticos e entrevistas sobre assuntos variados. O programa vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 7h às 8h30, na Educativa 104.7 FM e pelo Portal da Educativa.  Os ouvintes podem participar enviando perguntas, sugestões e comentários pelo WhatsApp (67) 99333-1047 ou pelo e-mail reporter104fm@gmail.com.


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