“Dengue é prevenção”, afirma Marcelo Vilela no Bom Dia Campo Grande

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Secretário municipal de Saúde da Capital cobra na Educativa 104.7 FM engajamento da população para enfrentar epidemia que já totaliza 13 mil notificações neste ano

Marcelo Vilela falou ao Bom Dia Campo Grande sobre epidemia de dengue na Capital. (Foto: Pedro Amaral)
Marcelo Vilela falou ao Bom Dia Campo Grande sobre epidemia de dengue na Capital. (Foto: Pedro Amaral)

Com quase 13 mil notificações sobre suspeita de dengue e duas mortes causadas pela doença já confirmadas, Campo Grande vive situação de epidemia e já busca junto ao governo federal recursos para intensificar o tratamento de pacientes com a doença, ao mesmo tempo em que intensifica esforços com os agentes comunitários de saúde para eliminar potenciais focos do mosquito Aedes aegypti –que além da doença, também é o transmissor do zika vírus e da febre chikungunya. Mas esse trabalho pouco terá resultado se não houver engajamento da população nesse enfrentamento.

As explicações acima partiram de Marcelo Vilela, secretário municipal de Saúde de Campo Grande que, em entrevista ao Bom Dia Campo Grande desta segunda-feira (25) deu explicações sobre as ações realizadas pelo município até aqui e o que se espera da sociedade para também afastar realidades vividas, desde 2006, de três em três anos: postos de saúde lotados de pessoas doentes, com maior risco para crianças (cujo sistema imunológico está em fase de fortalecimento) e idosos (que têm naturalmente uma resposta mais lenta).

“Dengue é prevenção, como o ministro falou”, disse Vilela à Educativa 104.7 FM, em referência a declaração do ministro da Saúde, o campo-grandense Luiz Henrique Mandetta, que no fim de semana esteve na Capital cumprindo agendas públicas. “Você tem de, antes de acometer a população, fazer um trabalho que tem dado resultado. Mas você precisa do apoio da população com cuidados, já que 95% dos focos do Aedes estão nos quintais”, explicou.

Mobilização

A Prefeitura da Capital tem procurado envolver a população, por meio de mutirões, para remoção dos quintais de materiais inservíveis que podem reter água e se tornar criadouros do mosquito. Neste fim de semana, cerca de dois mil imóveis foram visitados na região do Guanandi.

Vilela reiterou que, mesmo com a frequência de epidemias, boa parte das pessoas “não tem um comportamento muito bem relacionado em relação ao cuidado com o quintal e o lixo”. Isso porque a atenção normalmente é focada naquilo que está ao alcance dos olhos, mas deixa de lado, por exemplo, calhas das casas. “Onde puder acumular líquido, de 2 a 3 mililitros de água, pode ser foco e propagar uma doença que trará dano para a população”.

Por esse motivo, ele defende a necessidade de trabalho contínuo dos agentes de saúde, realizando revistas e a fiscalização. Ele reforça que o problema, porém, não é localizado em Campo Grande: dos 79 municípios do Estado, 29 enfrentam situação endêmica.

Tipos

Até sexta-feira (22) a Capital contabilizava 12.921 notificações sobre suspeita de dengue, bem abaixo das 28,5 mil contabilizadas na última epidemia, em 2016. O secretário lembrou que tanto a doença como a proliferação do Aedes são marcados pela sazonalidade, havendo picos da doença a cada três anos. Ela também envolve a tipagem do vírus causador da dengue: são quatro. “Neste ano, a que mais circula predominantemente é o tipo 2”, pontuou.

Em geral, a dengue se caracteriza pela redução grande no número de leucócitos (os glóbulos brancos, responsáveis pela defesa do organismo) e, principalmente, das plaquetas –que são responsáveis pela coagulação do sangue. As mortes registradas na Capital, destacou ele, envolveram idosos que já tinham comorbidades (doenças nas quais é necessária resposta do sistema imunológico).

A identificação do tipo de vírus, frisou ele, ajuda no enfrentamento às epidemias futuras, uma vez que, após serem infectadas, as pessoas vão defender imunidade àquela variação da doença. “Graças ao estudo epidemiológico sabemos, por exemplo, que a próxima epidemia não será do tipo 2”, disse, explicando outros aspectos para a expansão da dengue.

Ele lembra que o Aedes aegypti tem hábitos conhecidos, circulando até as 10h e no fim da tarde, quando o sol não está intenso –horários em que idosos e crianças, que estão em casa, ficam mais suscetíveis ao contágio. Paralelamente, a sazonalidade também é resultado do número de pessoas que, por aposentadorias ou outros fatores, passam a ficar mais tempo em casa, próximas aos focos domésticos –e não no trabalho, por exemplo.

Vilela cobrou engajamento da sociedade para o enfrentamento à dengue. (Foto: Pedro Amaral)
Vilela cobrou engajamento da sociedade para o enfrentamento à dengue. (Foto: Pedro Amaral)
Tratamento

Marcelo Vilela explica que o atendimento clínico ajudará também a distinguir casos de zika e chikungunya –com alguns sintomas diferentes aos da dengue. Das amostras coletadas, 20% passam por análise no Laboratório Central, com a confirmação vindo dois ou três meses depois. Contudo, os sintomas ajudam a identificar o tipo de doença.

Em todo caso, a recomendação usual é para que o paciente tome um analgésico como dipirona ou paracetamol, passe por hidratação intensa (que deve ser administrada de forma cautelosa em idosos) e façam repouso durante os primeiros dias após os sintomas aparecerem. Ele reiterou que a dengue hemorrágica, manifestação mais agressiva da doença, é “uma raridade” nos quadros gerais.

Ele ainda alertou para o risco da automedicação baseada, por exemplo, em antigripais ou anti-inflamatórios não-hormonais (como os baseados em diclofenaco), “que podem interferir na cadeia de coagulação. A recomendação é que a população busque orientação médica, tanto na rede pública como na privada. Nas unidades sob gestão do SUS (Sistema Único de Saúde), ele reitera que 26 UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e UBSFs (Saúde da Família) passaram a atender em horário estendido de segunda a sexta-feira para dar suporte aos pacientes de classificação de risco baixa (verde ou azul).

As UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) e CRSs (Centros Regionais de Saúde), por sua vez, seguem concentradas nas classificações de risco amarela e vermelha –assim, pacientes que passarem pela triagem e não forem considerados graves tendem a esperar mais tempo pelo atendimento nestes locais. O sistema, destacou o secretário, foi implementado pelo Ministério da Saúde em 2017 de forma a dar mais peso para a ESF (Estratégia Saúde da Família), de cunho preventivo, no SUS.

Emergência

Vilela também explicou que o decreto que colocou Campo Grande em situação de emergência, reconhecido pela Defesa Civil e que aguarda homologação federal, visa a ajudar o município a obter mais recursos para o tratamento de pacientes com dengue e de forma mais rápida. A expectativa é de que sejam liberados R$ 28 milhões para contratação emergencial de pessoal e compra de medicamentos.

“O decreto é para a gente não sofrer na compra de insumos e equipes”, complementou o secretário. “A população não pode ser prejudicada”, finalizou.

Sintonize – Com produção de Lívia Machado e Rose Rodrigues, e apresentação de Maristela Cantadori e Anderson Barão, o Bom Dia Campo Grande permite ao ouvinte começar o dia sempre bem informado, por meio de um noticiário completo, blocos temáticos e entrevistas sobre assuntos atuais e de relevância para a sociedade. O programa vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 7h às 8h30, na Educativa 104.7 FM e no Portal da Educativa.


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