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Carnaval seguro: Coletivo de Brechós se une em campanha contra o assédio e violência contra a mulher

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Campo Grande (MS) – Com o carnaval chegando, e os desfiles e blocos de rua, além dos bailes em clubes, a discussão sobre assédio e abuso contra as mulheres se torna mais intenso. O que antes era visto como normal – como a famosa passada de mão, beijo sem consentimento – hoje não é mais aceitável. Na mídia, nas redes sociais as histórias se repetem todos os anos, mostrando o quanto mulheres são vulneráveis diante da intolerância e do machismo, algo muito presente no Brasil.  

Com o intuito de empoderar mulheres a não aceitarem tais atitudes, o Coletivo de Brechós, composto de mulheres que atuam no segmento de brechó e trabalham com geração de renda, além de outros conceitos como sustentabilidade e a quebra de preconceito contra os usados, que fazem uma grande diferença no planeta, resolveram se unir e lançar uma campanha contra o assédio e violência contra a mulher no Carnaval.

Foi feito um ensaio fotográfico com integrantes do grupo, e peças dos brechós participantes, trazendo à tona a discussão e deixando claro que todo e qualquer abuso deve ser denunciado. A ideia é a conscientização das meninas, que muitas vezes não sabem que tais comportamentos podem ser enquadrados como assédio e violência, e agora é crime. Com cartazes como: “Se te digo não, é não!”, ou “Meu nome não PSIU”, as fotos deixam claro que o assédio neste carnaval não será permitido. O intuito é o encorajamento para que mais e mais mulheres se unam contra a violência.

Priscilla de Oliveira, 25 anos, uma das organizadoras do ensaio e integrante do Coletivo de Brechós, disse que se sente revoltada pois em pleno ano de 2020 ainda é comum este tipo de violência. “As meninas só querem se divertir em paz e ainda tem que passar por essa situação. Campanhas como essas são importantes para reafirmar algumas questões, tais como o pouco uso de roupa não dá direito a nada e muito menos é um convite”, afirma ela.

Foi pensando em conscientizar as mulheres, para que elas saibam o que é um assédio quando ele acontecer, que Priscilla juntou as meninas e organizou o ensaio. “Existem casos de pessoas que são assediadas e acabam nem percebendo. Então acho importante falar sobre o assunto principalmente no período do Carnaval, que é uma data tão propícia a acontecer casos de assédio’, explica ela.

Para Nathalia Oliveira, 27 anos, publicitária e integrante do Coletivo, é importante que seja bastante discutido sobre assédio (dentro e fora do carnaval). “Muitos que fazem piadinhas achando isso normal, acabam nos constrangendo, e infelizmente não são apenas piadinhas ou um assovio, vai além e não podemos deixar isso acontecer.”

Para Nathalia, o carnaval está aí para que todos possam curtir, brincar, dançar. As fantasias não são convites para tais abordagens grosseiras.

“Nós, mulheres temos direito de curtir, de ir e vir em segurança. Nós temos direitos de sermos quem quisermos. E foi por essa necessidade de “pedir” por nosso espaço de segurança que eu decidi participar dessa campanha”, finaliza ela.

Patrícia Araújo da Silva, 41 anos, integrante do Coletivo de Brechós também participou do ensaio e afirma que a roupa não define a moral da mulher. “Cada um se veste ou se fantasia do que quiser, é carnaval, mas isso não dá o direito nem a liberdade para sermos abusadas. Temos que nos unir e denunciar mesmo!”

Para Márcia Arguelho, administradora de empresas e que também faz parte do Coletivo de Brechós, essa campanha é para deixar claro que o assédio é qualquer comportamento indesejado praticado com reiteração e que afeta a dignidade da pessoa ou cria um ambiente hostil. Ela manda um recado para todas as foliãs que muitas vezes nem estão cientes de que tais comportamentos são uma violência: “Meninas nosso corpo não é uma propriedade masculina, respeito acima de tudo”, enfatiza ela.

Giovana Fernandes Ribeiro, 24 anos, integrante do Coletivo e participante da campanha, diz que é preciso mostrar que a culpa não é da roupa, do lugar ou da eventualidade em que se encontra que faça você “merecer” passar por algo que não deveria nem ser cogitado no outro te fazer passar. Para ela, o mais importante é mostrar que o assédio não é legal e sim violência, e reeducar certos pensamentos e atitudes. “Que as mulheres nunca se calem diante de uma situação de assédio, que o corpo são delas e também é delas o direito de ter respeito sobre ele”, afirma.

Kemilly Eduarda Maia Pereira, modelo e integrante do Coletivo de Brechós, diz que campanhas como essa fazem com que meninas que são assediadas tenham coragem de expor o caso. “Elas vão estar conscientes de que é uma violência, e tendo uma referência de que existem outras mulheres que já passaram por isso, terão mais coragem em denunciar”.

Ela afirma que esta campanha também deixa claro para os homens que as mulheres não vão mais aceitar tais atitudes, elas não são objetos, e eles vão aprender a respeitá-las, com ou sem roupas.

Números da Violência

A cada 11 minutos, uma mulher é estuprada no Brasil, mas apenas 7.5% denunciam o agressor. Pelas ruas do país, 98% das mulheres afirmam já terem sido cantadas, de acordo com dados da Secretaria Nacional de Segurança Pública. No período do Carnaval este número cresce em torno de 20%.

Em 2019 foi o primeiro ano em que a importunação sexual foi classificada como crime, de acordo com a Lei 13718/2018, e ainda não temos um estudo claro de impacto sobre o que mudou, mas diante deste cenário as iniciativas de combate a estes abusos se intensificam. A conscientização dos foliões é um dos objetivos da maioria das campanhas.

Entre os dias 1º e 05 do mês de março, dias de carnaval do ano passado, o Disque 100 recebeu 1.317 denúncias, que resultaram em 2.562 violações registradas. Os tipos de violações com índices mais altos foram negligência (933), violência psicológica (663) e violência física (477).

Sobre o Coletivo de Brechós do Mato Grosso do Sul

O Coletivo de Brechós é um grupo de mulheres que atuam no segmento de brechós desde 2014. Com conceitos como a sustentabilidade, reuso de peças e a quebra de preconceito contra roupas usadas, que ajudam muito o planeta, elas se unem, fazem eventos, buscam parcerias e trabalham basicamente no empoderamento destas mulheres. Nestes mais de 5 anos de existência já fizeram mais de 180 eventos no Mato Grosso do Sul.

Mais informações:

Val Reis – Jornalista e Coordenadora do Coletivo de Brechós do Mato Grosso do Sul.

67 9 9865-0009

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