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Institucional

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13 de julho de 2024 - 17:51

Borracha de pneu é testada em placa cimentícia para melhor conforto térmico

Nessa linha, o estudo de compósitos cimentícios com resíduos de borracha de pneus inservíveis para fabricação de placas de vedação de edificações está sendo conduzido pela mestranda e técnica em edificações da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) Enilda Maria da Silva Garcia de Freitas.

Pesquisadora Enilda, com placas cimentícias acrescidas de borracha de pneu

O reuso de resíduos de borracha de pneus inservíveis, ou seja, quando deixa de ter uso, na forma natural, já descartado, poupa recursos naturais e tem potencial de material construtivo eficiente, além de ser uma maneira de dar destinação final ao produto.

“Sabemos que parte desses resíduos de borracha de pneu é utilizado como combustível alternativo em fornos de cimenteira. Já que estamos dando essa destinação, porque não explorar a potencialidade que a borracha de pneu possui de baixa condutividade térmica em novas tecnologias nos ambientes construídos?”, questiona a pesquisadora.

Nessa pesquisa são estudadas “as dosagens de argamassas compostas pelas matérias-primas cimento, areia e resíduos de borracha de pneus inservíveis na confecção de placas de vedação com características de isolamento térmico”.

A principal preocupação é verificar o ganho em conforto térmico. “Na maior parte das pesquisas são verificadas as propriedades mecânicas quando é substituído agregado miúdo, a areia, pela borracha de pneu, mas sabemos que compósitos cimentícios com a borracha de pneu tem melhores características de isolante térmico quando comparados com composição semelhantes sem a borracha de pneus inservíveis. Queremos verificar o desempenho térmico em moradias sociais”, diz a mestranda da Pós-Graduação/Mestrado em Eficiência Energética e Sustentabilidade, orientada pela professora Ana Paula Milani.

Mistura

O pneu passa pela trituração e então é feita a separação, em uma esteira magnetizada, da borracha da fibra de aço. São utilizadas partículas de borracha menores semelhantes à granulometria de agregados naturais – areia.

Nas placas, a borracha é adicionada no volume total dos materiais constituintes sem que haja a redução da quantidade de cimento ou areia. “Nessa pesquisa estamos fazendo a adição e não a substituição, com ganho no volume total”, afirma.

A proposta é integrar as placas cimeníticias no sistema de vedação horizontal superior, em conjunto com o forro.

“Na maioria dos projetos habitacionais de interesse social – com dois quartos, sala e cozinha, banheiro, corredor de circulação e área de serviço externa – não há preocupação com as condições climáticas locais. E um dos responsáveis da elevação da temperatura interna de uma residência é a cobertura, por meio da exposição à radiação solar. Essas casas populares, muitas vezes, não possuem lajes e sim forro de PVC, sendo em alguns casos mais quente dentro do que fora da residência”, explica Enilda.

Borracha triturada e peneirada

Produzidas no Laboratório de Materiais da Construção Civil da UFMS, onde já foram realizadas pesquisas com resíduos de borracha de pneus inservíveis comandadas pela professora Sandra Bertocini – como pode ser visto em Campo Grande no piso da ciclovia da avenida Afonso Pena – as placas passarão por ensaios no laboratório da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A ideia é produzir peças de 30×30, com espessuras de um a três centímetros, que serão avaliadas em ensaios de condutividade térmica.

A expectativa é ter um produto que atenda as normas brasileiras – NBR de componentes semelhantes do meio construtivo, e que possa reduzir o desconforto térmico e apelo aos eletrodomésticos refrigeradores.

Com o resultado, Enilda espera obter um produto que possa ser fabricado e que venha a atender principalmente as moradias populares. “Ainda há um preconceito, quando se trata de soluções inovadoras com materiais alternativos oriundo de resíduos, mas é algo disponível, economicamente bom, sem falar que estamos aliando a sustentabilidade com eficiência energética no ambiente construído e com um grande ganho na área ambiental”, completa.

Paula Pimenta

FONTE: UFMS

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